JACK GUEZ / AFP
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Hospital lotado em Israel instala leitos para pacientes com covid-19 no estacionamento

Ala foi criada em área construída para servir de refúgio em caso de hostilidades durante o conflito com o Hezbollah em 2006

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2020 | 03h00

TEL-AVIV - Sobrecarregado pela segunda onda de coronavírus que afeta Israel, um hospital de Haifa transformou o estacionamento subterrâneo em "ala covid", onde centenas de leitos ocupam os retângulos desenhados no chão para os carros.

O estacionamento deste hospital no norte de Israel foi construído em 2006, depois da guerra contra o Hezbollah libanês, para servir de refúgio em caso de novas hostilidades.  

Entretanto, com o ressurgimento do coronavírus em Israel - que decretou um reconfinamento nacional de pelo menos três semanas (até 11 de outubro) -, "decidimos usar esta estrutura estratégica", explica à AFP Michael Halberthal, diretor do hospital Rambam.

O estabelecimento decidiu instalar centenas de leitos em seu estacionamento. Com máscaras cirúrgicas azuis e luvas de látex, a equipe se dedica a instalar os equipamentos e os leitos nas vagas de estacionamento, delimitadas por painéis de concreto pintados de rosa, violeta ou verde. 

Esta "ala covid" começará a funcionar a partir desta quinta-feira, 24, para receber até 770 pacientes. "É preciso encontrar soluções, porque temos a obrigação de proporcionar cuidados", afirma Halberthal, expressando sua "frustração" pelo fato de a população não respeitar as restrições impostas para conter a propagação do vírus.

Além disso, a mobilização de recursos adicionais para a segunda onda reduzirá a "qualidade" e a "quantidade" da atenção oferecida aos "pacientes que não estão infectados com a covid-19", destaca.

Israel é um dos países com a maior taxa de infecção do coronavírus nas últimas semanas. Na quarta-feira, o Ministério da Saúde registrou 6.808 novos casos de pessoas infectadas em um só dia. "O sistema de saúde está em risco", afirmou o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, para justificar o novo confinamento generalizado, que pode ser endurecido nos próximos dias.

Para Khetam Hussein, responsável pelas doenças infecciosas no hospital Rambam, as novas medidas foram aplicadas "tarde demais".

A nova onda afeta especialmente o norte do país, onde se concentra a minoria árabe-israelense que, em grande parte, não foi atingida pelo início da pandemia, mas que está sendo afetada em cheio nas últimas semanas, segundo as autoridades, que questionam os grandes casamentos ocorridos no verão boreal (Hemisfério Norte).

Hospitais lotados

"Todos os hospitais estão lotados, alguns estão no limite de sua capacidade e não aceitam mais pacientes", destaca Hussein.

Há alguns dias, os hospitais saturados não conseguem mais conter o fluxo de ambulâncias, confessa um responsável da Magen - equivalente israelense da Cruz Vermelha -, David Adom. 

Apenas 27% dos israelenses afirmam ter confiança na capacidade de Netanyahu para enfrentar a atual crise de saúde - o número mais baixo desde o início da pandemia, segundo uma pesquisa do Instituto Democrático de Israel, centro de pesquisa em Jerusalém.

O governo está enfrentando uma onda de críticas da oposição, da imprensa e também de profissionais da saúde, que denunciam uma desorganização e uma grande falta de recursos nos últimos meses para antecipar os efeitos de uma segunda onda de contaminação.

Embora o hospital Rambam tenha conseguido aumentar consideravelmente sua capacidade, está com falta de medicamentos e suprimentos médicos suficientes. / AFP

 

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