Hospital no Afeganistão atende em situação dramática

O doutor Homayun Darmangar sacudiu sua cabeça e deu um suspiro em desespero. Dois minutos antes, o cirurgião-chefe da ortopedia do hospital da cidade de Mazar-e-Sharif´s teve que amputar a perna de garoto. Foi uma escolha que ele nunca teria feito caso o hospital tivesse equipamento apropriado e médicos melhor treinados. "Se tivéssemos instrumentos e houvesse preparação, então este jovem não teria perdido uma perna", lamentou.Pacientes em recuperação que não têm dinheiro para comprar lenha para colocar nos rústicos aquecedores dos leitos devem enfrentar o rigoroso inverno desta época do ano. Não há lençóis para as camas, nem desinfetante para limpar o chão.Antes de fazer uma cirurgia, os médicos dão uma lista ao parentes do paciente para que comprem os remédios necessários em uma das farmácias situadas na rua do hospital. Se o médico precisar de sutura extra durante a cirurgia, ele grita para o parente que está do lado de fora da sala para comprá-la imediatamente. E ninguém fala de novos equipamentos ou técnicas. "No Afeganistão, tudo precisa mudar", disse o médico.Não se sabe ao certo quantas pessoas o hospital atende diariamente. Pelo menos 200 mil pessoas vivem em Mazar-e-Sharif e outros milhares nos arredores da cidade. O hospital militar é melhor equipado, disse Darmangar, mas atende poucos civis. Os médicos deste hospital dizem que não têm recebido o salário mensal de US$ 20,00 nos últimos três meses. Alguns fazem dinheiro trabalhando em clínicas privadas no período da tarde.Muitas organizações de ajuda já enviaram equipamentos e remédios ao hospital, mas segundo o médico, muito do que chegou foi roubado.

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