Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Hospitalização de crianças dispara nos EUA e aumenta preocupações com a Ômicron

Enquanto o país bate recordes diários de infecções, as internações de crianças aumentaram 58% em uma semana, criando temores de nova onda entre não vacinados

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2021 | 17h35

NOVA YORK - Em poucas semanas, a variante Ômicron do novo coronavírus levou a um salto nas hospitalizações entre as crianças nos Estados Unidos, aumentando as preocupações sobre como os americanos com menos de 18 anos e se sairão no novo surto.

A média de hospitalizações aumentou em 58% na comparação com a semana anterior, segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças). Foram, em média, 334 internações entre os dias 21 e 27 de dezembro em todo o país. A variação das crianças é maior que a de todas as faixas etárias juntas, que ficou em 19%.

O aumento das hospitalizações ocorre junto com os consecutivos recordes de casos registrados no país. Somente na última quarta-feira, 29, foram registrados 488 mil novas infecções, maior número até então. E espera-se que os casos de Ômicron devem aumentar ainda mais rápido, já que as escolas reabrem na próxima semana após o feriado de inverno, alertam especialistas.

Público pouco vacinado

Os médicos dizem que é muito cedo para determinar se a Ômicron causa doença mais graves em crianças do que outras variantes do coronavírus, mas que sua transmissibilidade extremamente alta é um fator-chave para o aumento das hospitalizações. Principalmente porque os menores de 18 anos são o público com menor taxa de imunização. Menos de 25% dos 74 milhões de americanos com menos de 18 anos estão vacinados, de acordo com o CDC.

"Vai infectar mais pessoas e está infectando mais pessoas. Estamos vendo o aumento das hospitalizações em crianças", disse a Dra. Jennifer Nayak, especialista em doenças infecciosas e pediatra da Universidade de Rochester Medical Center. "O que estamos vendo é que crianças menores de cinco anos não foram vacinadas, então ainda há uma população relativamente grande de crianças suscetíveis, de modo que não têm imunidade preexistente a esse vírus", disse Nayak.

Mesmo na cidade de Nova York, que tem algumas das taxas de vacinação mais altas dos Estados Unidos, apenas cerca de 40% das crianças de 5 a 17 anos estão totalmente vacinadas em comparação com mais de 80% dos adultos, mostram os dados de saúde da cidade. Não há vacina autorizada para crianças nos Estados Unidos com menos de 5 anos.

As hospitalizações na cidade de Nova York de pessoas com 18 anos ou menos aumentaram de 22 na semana de 5 de dezembro para 109 entre 19 e 23 de dezembro. Crianças com menos de 5 anos representaram quase metade do total de casos. As hospitalizações de menores de 18 anos em todo o estado saltaram para 184 de 19 a 23 de dezembro, ante 70 de duas semanas antes.

Outras partes dos Estados Unidos também estão observando um aumento no número de casos entre crianças. Ohio tem visto um aumento de 125% nas hospitalizações entre pessoas com até 17 anos nas últimas quatro semanas, de acordo com dados da Ohio Hospital Association. Flórida, Nova Jersey e Illinois testemunharam um aumento de pelo menos o dobro na média de sete dias de hospitalização diária de pacientes menores de idade com o coronavírus na semana passada, mostram os dados do CDC.

Campanha mais lenta entre as crianças

Crianças pequenas têm taxas de vacinação muito mais baixas do que outras faixas etárias, com algumas famílias hesitando em vacinar os mais jovens. Menos de 15% das crianças americanas de 5 a 11 anos foram totalmente vacinadas desde que o imunizante da Pfizer/BioNTech foi autorizada para a faixa etária no final de outubro, mostram dados federais.

Entre os sintomas graves que médicos têm observado nas crianças internadas estão dificuldade para respirar, febre alta e desidratação. "Eles precisam de ajuda para respirar, precisam de ajuda para obter oxigênio, precisam de hidratação extra. Eles estão doentes o suficiente para precisarem ir ao hospital, e isso é assustador para os médicos e para os pais", disse Rebecca Madan, especialista em doenças infecciosas pediátricas no sistema hospitalar Langone Health da New York University.

O aumento de casos ocorre quando as escolas estão fechadas para as férias de inverno. Antes das férias, mais de mil salas de aula foram total ou parcialmente colocadas em quarentena devido a surtos, de acordo com dados da cidade de Nova York. A cidade disse que abrirá as escolas para cerca de um milhão de crianças, conforme planejado em 3 de janeiro, após o recesso de inverno do distrito./REUTERS

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