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Dmitry Kostyukov/The New York Times
Dmitry Kostyukov/The New York Times

Hotéis e restaurantes de Paris sentem o impacto econômico do atentado

Nos principais bairros boêmios, nem mesmo uma campanha dos restaurantes para atrair os cidadãos a "desafiar" o terrorismo parece estar funcionado

JAMIL CHADE - ENVIADO ESPECIAL / PARIS, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2015 | 15h26

PARIS – Os atentados terroristas em Paris estão gerando um forte impacto econômico em restaurantes, hotéis e no turismo da cidade mais visitada do mundo. Desde o dia 13, o sindicato do segmento indicou que quase 50% das reservas de hotéis foram canceladas e já prevê “meses difíceis pela frente”. 

“Desde o fim de semana, vemos uma onda de cancelamentos”, confirmou Didier Le Calvez, presidente do Hotel Le Bristol e do principal sindicato hoteleiro de Paris. Segundo ele, o atentado vem justamente no momento em que o setor havia voltado a registrar lucros, depois de um período de queda no início do ano em razão do atentado contra o Charlie Hebdo. "Agora, nossa previsão é de que os lucros tenham uma queda de 50% no mês neste mês", confirmou. 

O mesmo fenômeno tem sido visto nos restaurantes, com as reservas em locais de luxo sendo reduzidas pela metade. O grupo Flo, que administra restaurantes como o La Coupole e o Bofinger, também aponta para uma queda de movimento "acima de 50%". Segundo dados da consultoria MKG, o impacto dos atentados foi "imediato". Na noite de sábado para domingo, por exemplo, as reservas em hotéis foram reduzidas em 23%.

Nos principais bairros boêmios, nem mesmo uma campanha dos restaurantes para atrair os cidadãos a "desafiar" o terrorismo parece estar funcionado. Na terça-feira pela noite, em pleno jogo França x Inglaterra, bares e restaurantes na Rue des Canettes estavam vazios, assim como na Rue de Buci, um tradicional ponto de encontros. 

Por ordens do governo, grandes eventos na cidade foram cancelados, incluindo uma reunião de todos os prefeitos da França marcado para ocorrer na capital e que atrairia 6 mil pessoas.

O tradicional Feira Paris Photo foi fechado de forma prematura, por ordens das autoridades temendo um atentado no local do evento, o Grand Palais. O Salão de Estudantes em Paris também foi adiado, assim como o Salão do Lego, na cidade de Reims, um salão de Cozinha, em Caen, uma conferência sobre o setor do Luxo, em Versalhes, e dezenas de outros eventos.

Diante do impacto, os sindicatos já organizaram a criação de um fundo de resgate para ajudar os locais atingidos pelos atentados, como o restaurante Le Petit Cambodge. "Esses estabelecimentos vão precisar de ajuda", disse  Roland Héguy, representante do Sindicato UMIH. 

Já o BPIFrance, o banco público de investimentos, decidiu adiar o vencimento de créditos dados para o setor. Os pagamentos, em alguns casos, serão suspensos por seis meses, na esperança de que os bares, restaurantes e hotéis possam recuperar as perdas. Antes mesmo dos atentados, 30% das empresas do setor estavam "altamente endividadas" e o temor é de que muitas tenham de fechar as portas se os empréstimos forem cobrados neste momento.

Guerra. Na região de Montparnasse, o hotel Holiday Inn confirmou ao Estado que os cancelamentos para o mês de dezembro "não param de chegar". "Quanto mais falarmos a palavra 'guerra', mais os turistas americanos e asiáticos evitarão Paris", lamentou um dos funcionários. 

Para o setor, os atentados na Tunísia e no Egito afastaram milhões de turistas desses locais nos últimos meses. "O que tememos é que Paris também entre nesse roteiro de locais a serem evitados", disse.

Na bolsa de Valores de Paris, os investidores já deram sinais de que estão preocupados. As ações de empresas como Air France, Accor e o Group Flo, tiveram quedas de 5% a 11%. Para a Organização Mundial do Turismo, haverá um "antes e um depois" dos atentados em Paris. 

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