Frank Augstein|AP
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Hotéis e restaurantes já sentem impacto econômico

Segundo sindicato de hotéis, reservas caíram 50% após os ataques de sexta-feira e cenário pode piorar

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / PARIS, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 21h51

Os atentados terroristas em Paris estão provocando um forte impacto econômico a restaurantes, hotéis e o setor de turismo, em geral, da cidade mais visitada do mundo. Desde o dia dos ataques, o sindicato da área indicou que quase 50% das reservas de hotéis foram canceladas e prevê “meses difíceis”.

“Desde o fim de semana, vemos uma onda de cancelamentos”, confirmou Didier Le Calvez, presidente do Hotel Le Bristol e do principal sindicato hoteleiro de Paris.

Segundo ele, o atentado ocorreu justamente no momento em que o setor havia voltado a registrar lucros, depois de um período de queda no início do ano em razão do atentado contra o Charlie Hebdo. “Agora, nossa previsão é a de que os lucros tenham uma queda de 50% neste mês”, confirmou.

O mesmo fenômeno tem sido visto nos restaurantes, com as reservas em locais de luxo sendo reduzidas pela metade. O grupo Flo, que administra restaurantes como o La Coupole e o Bofinger, também aponta para uma queda de movimento “acima de 50%”. Segundo dados da consultoria MKG, o impacto dos atentados foi “imediato”. Na noite de sábado, por exemplo, as reservas em hotéis foram reduzidas em 23%.

Nos principais bairros boêmios, nem mesmo uma campanha dos restaurantes para atrair os cidadãos a “desafiar” o terrorismo parece estar funcionado. Na terça-feira pela noite, em pleno jogo da França contra a Inglaterra, bares e restaurantes na Rue des Canettes estavam vazios, assim como na Rue de Buci, um tradicional ponto de encontros.

Por ordem do governo, grandes eventos na cidade foram cancelados, incluindo uma reunião de prefeitos da França marcado para ocorrer na capital, que atrairia 6 mil pessoas.

O tradicional Feira Paris Photo foi fechado de forma preventiva, por ordens das autoridades temendo um atentado no local do evento, o Grand Palais. O Salão de Estudantes em Paris também foi adiado, assim como o Salão do Lego, na cidade de Reims, um salão de Cozinha, em Caen, uma conferência sobre o setor do Luxo, em Versalhes, entre outros.

Diante do impacto, os sindicatos organizaram a criação de um fundo de resgate para ajudar os locais atingidos pelos atentados, como o restaurante Le Petit Cambodge. “Esses estabelecimentos vão precisar de ajuda”, disse Roland Héguy, representante do Sindicato UMIH.

Já o BPIFrance, o banco público de investimentos, decidiu adiar o vencimento de créditos dados para o setor. Os pagamentos, em alguns casos, serão suspensos por seis meses, na esperança de que os bares, restaurantes e hotéis possam recuperar as perdas. Antes mesmo dos atentados, 30% das empresas do setor estavam “altamente endividadas” e o temor era o de que muitas delas fechassem as portas se os empréstimos fossem cobrados agora.

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