Robyn Beck/AFP
Robyn Beck/AFP

Hotel de Las Vegas processa vítimas do massacre de 2017 para evitar responsabilidade no caso

Grupo proprietário do Mandalay Bay afirma que intenção é fazer as 2,5 mil pessoas que acionaram a empresa por negligência desistirem de suas ações

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 05h52

LOS ANGELES - As vítimas do massacre de Las Vegas, cometido em outubro de 2017, estão sendo processadas pelo hotel de onde um atirador disparou contra a multidão que assistia a um show de música country. A medida é uma tentativa da empresa de evitar qualquer responsabilidade pelo caso.

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A MGM Resorts, proprietária do hotel Mandalay Bay, abriu os processos em um tribunal de Las Vegas e um de Los Angeles na sexta-feira, 13, e argumenta que “não tem nenhum tipo de responsabilidade” pelos sobreviventes ou famílias das vítimas.

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O grupo, que tem uma dezena de grandes hotéis-cassinos em Las Vegas, disse nesta terça-feira, 18, que procura uma solução "rápida" para milhares de processos de sobreviventes ou parentes das vítimas, que já recorreram à Justiça ou pretendem fazê-lo pela eventual responsabilidade do Mandalay Bay no massacre.

Segundo o hotel, os processos não pretendem obter qualquer compensação financeira das cerca de 2,5 mil pessoas que acionaram o grupo MGM por negligência, mas sim que desistam de suas ações.

O grupo se ampara na Lei Federal de Segurança (Safety Act), “que isenta de responsabilidade por atos de terrorismo ou tiroteios em massa as instituições que utilizam serviços de segurança certificados pelo Departamento de Segurança Nacional".

Na noite de 1.º de outubro de 2017, Stephen Paddock, um americano de 54 anos, atirou contra o público que assistia a um show de música country ao ar livre, matando 58 pessoas e ferindo mais de 500. Ele disparou diversas armas que levou para seu quarto no 32.º andar do Mandalay, e se matou antes da chegada da polícia.

O advogado Robert Eglet, que representa algumas vítimas, qualificou as ações da MGM Resorts como "a coisa mais escandalosa que viu em 30 anos de carreira", e afirmou que a empresa contratada para o festival Route 91 - a CSC - "não proporcionava segurança para o Mandalay Bay" durante ou antes do massacre.

O grupo de apoio às vítimas Route 91 Strong disse estar "profundamente triste" com a ação da MGM contra muitas vítimas que permanecem traumatizadas e, inclusive "à beira do suicídio", e outras que "perderam seus empregos e suas casas". A decisão da empresa também provocou uma enxurrada de críticas nas redes sociais. / AFP

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