HRW denuncia execuções sumárias de detidos em Gaza

Facções também colocam em perigo os jornalistas que trabalham no conflito

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 11h59

A organização Human Rights Watch (HRW) acusa os milicianos armados do Fatah e do Hamas de cometerem crimes de guerra, entre eles a execução sumária de detidos, durante os confrontos em Gaza."Nos combates entre palestinos nos últimos três dias, as forças militares do Fatah e do Hamas praticaram execuções sumárias de detidos, assassinaram pessoas não envolvidas nas hostilidades e se enfrentaram com armas perto dos hospitais", acusa a HRW em comunicado divulgado em seu site.Cerca de 50 pessoas morreram e mais de 80 foram feridas em Gaza desde segunda-feira nos combates entre as duas facções rivais;. Os enfrentamentos prosseguem nesta manhã."O assassinato de civis e a morte mal-intencionada de detidos são crimes de guerra", diz Sara Leah Whitson, diretora da HRW para o Oriente Médio, no documento.Os ataques do Hamas e Fatah "constituem brutais violações dos princípios humanitários mais fundamentais", acrescenta.Entre as atrocidades mencionadas pela HRW está o assassinato, no domingo, de Muhammad Swairki, de 28 anos, cozinheiro da guarda do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Ele foi executado por membros do Hamas, lançado do alto de um edifício de 15 andares com os pés e as mãos amarrados.Mais tarde, forças do Fatah capturaram Muhammad al-Rafati, seguidor do Hamas e imame de uma mesquita. Ele morreu da mesma maneira, lançado do alto de uma torre da Cidade de Gaza.A organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Nova York, também acusa as facções de "pôr em sério perigo" os jornalistas que trabalham em Gaza.Segundo HRW, no sábado "palestinos armados da Jihad Islâmica e da Brigada dos Mártires de al-Aqsa, filiada ao Fatah, usaram um veículo com a marca TV para atacar uma posição militar israelense na fronteira com Gaza".Eles negaram ter utilizado um veículo com identificação de uma equipe de televisão. Mas fotos do incidente "mostravam as letras TV escritas em vermelho na parte frontal do jipe", diz o relatório.A ação "é uma séria violação das leis de guerra", já que "os jornalistas que não tomam parte direta nas hostilidades em zonas de conflito devem ser considerados civis", segundo Whitson.

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