HRW diz que há liberdade na Venezuela

A organização americana de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou, nesta sexta-feira, que, na Venezuela, existe liberdade de expressão e reconheceu que a imprensa não tem "obrigação jurídica" de ser imparcial e equilibrada. "Não se pode afirmar que não há margem para o mais amplo exercício da liberdade de expressão na Venezuela, todos se expressam como querem", disse José Manuel Vivancos, diretor-executivo da HRW.No entanto, ele questionou, durante entrevista coletiva, a "retórica excessiva, agressiva e dura", empregada tanto pelo governo quanto pela oposição, e principalmente pelo próprio chefe de Estado, Hugo Chávez. "Esta linguagem, utilizada por todos os setores políticos, poderia incitar à violência e, neste sentido, nos preocupa", disse Vivancos, depois de advertir que o debate político existente hoje em dia na Venezuela "não é construtivo".EncontrosO diretor da HRW iniciou uma visita de quatro dias à Venezuela, onde se reuniu com altos funcionários do governo, incluindo o próprio Chávez, assim como com os principais representantes dos poderes Judicial e Legislativo. Vivancos também se encontrou com líderes da oposição, donos de meios de comunicação e familiares das vítimas assassinadas entre 11 e 14 de abril passado, durante o golpe de Estado contra Chávez.O diretor da HRW disse que a imprensa "não tem a obrigação jurídica de ser imparcial nem equilibrada em suas análises, em suas informações nem em suas opiniões". Por isso, se os meios de comunicação quiserem assumir uma posição opositora, "podem fazê-lo, porque estão amparados pelo direito internacional".De toda forma, Vivancos advertiu que a liberdade de expressão "não é um direito absoluto, é uma liberdade que pode ser regulada (...). A autoridade, em qualquer parte do mundo, tem o direito a regular as manifestações".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.