HRW:crimes contra humanidade podem ter ocorrido no Egito

O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch convocou nesta terça-feira a comunidade internacional para que forme uma comissão de inquérito sobre os assassinatos em massa cometidos pelas forças de segurança egípcias no ano passado, afirmando que eles provavelmente representam crimes contra a humanidade.

Estadão Conteúdo

12 de agosto de 2014 | 12h09

Tendo como base uma investigação de uma ano sobre os incidentes que aconteceram após a derrubada do presidente islamita Mohammed Morsi em 3 de julho de 2013, o HRW pediu especificamente uma investigação sobre o papel do atual presidente, Abdel-Fattah el-Sissi, e de pelo menos dez oficiais de alta patente e chefes de segurança na morte de 1.150 manifestantes no período de seis semanas.

O grupo também pediu aos aliados do Egito que suspendam a ajuda militar e a cooperação com as autoridades e militares egípcios até que o governo adote medidas e encerre as violações aos direitos humanos.

O governo do Egito rejeitou o relatório, acusando o HRW de ser "tendencioso e não profissional". Em comunicado divulgado por seu escritório de comunicação, o governo diz que os autores do documento trabalharam no Egito sem permissão, fato que chamou de "flagrante violação" da soberania do país.

"Embora não esteja surpreso pelo relatório, tendo em vista os claros métodos e tendências da organização, o governo rejeita o documento e critica seu viés", diz o comunicado, sem esclarecer o que entende por "viés".

O documento de 188 páginas diz que seus autores descobriram que as autoridades usaram força excessiva e deliberada contra manifestantes políticos em sucessivos ataques contra suas reuniões.

O pior incidente de assassinatos em massa aconteceu no dia 14 de agosto, quando autoridades abriram fogo contra uma manifestação pró Morsi na praça Rabaah al-Adawiyah, no Cairo. Segundo o HRW, o número de mortos foi de pelo menos 817 e provavelmente chegou aos 1.000, muito mais do que os 624 documentados anteriormente pelo organismo de direitos humanos egípcio. O grupo considera o episódio "o maior assassinato de manifestantes em um único dia na história recente".

Dois integrantes do HRW, que partiram de Nova York no domingo, foram impedidos de entrar no Egito e tiveram de voltar antes do lançamento do relatório no Cairo. Autoridades disseram que eles foram barrados depois de o governo ter pedido a eles que adiassem sua visita até setembro. O Ministério do Interior egípcio disse nesta terça-feira que os dirigentes do grupo se recusaram a acatar o pedido e viajaram para o país.

Em videoconferência realizada de Genebra, Beirute e Nova York para o lançamento do relatório, executivos do HRW e pesquisadores disseram que o convite para que fossem ao país em setembro não foi transmitido aos integrantes do grupo antes do comunicado ministerial divulgado nesta terça-feira. Fonte: Associated Press.

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