Hu ordena investigação de caso de espião

Funcionário do governo teria comprometido trabalho de agentes chineses nos EUA

HONG KONG, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h07

O presidente chinês, Hu Jintao, ordenou uma investigação sobre um funcionário do governo detido este ano sob suspeita de espionar para os Estados Unidos, no mais sério escândalo de espionagem envolvendo Pequim e Washington em quase 30 anos. De acordo com fontes, o suposto espião teria comprometido o trabalho de agentes chineses atuando em território americano - o que teria enfurecido Hu.

O funcionário, assessor de um vice-ministro da Segurança Estatal, foi detido entre janeiro e março sob a acusação de ter transmitido a Washington, no decorrer de vários anos, informações sigilosas a respeito das atividades chinesas de espionagem internacional.

O assessor teria sido recrutado pela Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) para fornecer "inteligência política, econômica e estratégica".

A identidade do suposto espião não foi divulgada, mas ele era um importante funcionário do gabinete do vice-ministro Lu Zhongwei. Apesar do escândalo, Lu não foi punido formalmente. No entanto, o governo chinês criticou o processo de seleção do funcionário, feito por Lu.

"O problema de Lu Zhongwei foi que ele contratou uma pessoa sem investigá-la antes", afirmou uma das fontes. Lu também foi inocentado de ter trabalhado, em conjunto com o espião, para o governo americano.

Mal-estar. Esse é o mais grave incidente de espionagem entre EUA e China desde 1985, quando Yu Qiangsheng, funcionário da inteligência chinesa, desertou para os EUA.

Yu contou aos americanos que um analista aposentado da CIA estava espionando para a China.

O analista suicidou-se em 1986 numa prisão dos EUA, dias antes de ser sentenciado a uma longa pena de prisão.

A revelação do caso ocorre num momento delicado para as relações entre os dois países, que recentemente foram postas à prova por causa do dissidente Chen Guangcheng, que fugiu da prisão domiciliar no interior chinês e passou seis dias refugiado na Embaixada dos EUA em Pequim, antes de ser autorizado a se exilar em Nova York. / REUTERS

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