Hugo Chávez critica Conselho de Segurança da ONU

O governo venezuelano, que disputa um assento não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, criticou o que considera uma "ditadura" instalada na organização, antecipando as discussões da Assembléia Geral da ONU, que começa nesta terça-feira, em Nova York. As críticas foram feitas durante a visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à Venezuela. "Ainda que a Assembléia Geral (da ONU) aprove o programa nuclear do Irã, valerá o voto ditatorial dos EUA, com o poder de veto, para impor sua decisão. Trata-se de uma ditadura mundial", afirmou Chávez durante a coletiva de imprensa. As críticas às Nações Unidas e a seu controle por parte do governo de Washington encerraram a visita de Ahmadinejad, que conta com o apoio de Chávez a seu programa de energia nuclear."Nosso programa nuclear está bastante claro e transparente. Os informes da Agência (Internacional de Energia Atômica) confirmam a pureza de nossas atividades (...) Estamos dispostos a negociar com todos", disse Ahmadinejad durante entrevista coletiva em Caracas. "Os que se negam a apoiar nosso programa querem ser um obstáculo para o desenvolvimento de nossos povos", afirmou o presidente iraniano, minutos antes de sua viagem à Nova York, onde deve defender seu programa de enriquecimento de urânio durante a assembléia da ONU.Ahmadinejad condenou o "mau uso" da força nuclear e defendeu o direito dos povos de tomarem suas próprias decisões. O presidente iraniano recebeu o apoio imediato do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Para Chávez, as pressões dos EUA para que o Irã abandone seu programa nuclear são "injustas, imorais e cínicas". O presidente venezuelano afirma que os EUA, que "não apenas possuem, mas já lançaram bombas nucleares", não estão em posição "moral de condenar" nenhum país. Bomba atômica Durante um discurso na Academia Militar, em Caracas, Chávez afirmou que o "Irã não tem bomba atômica", se referindo às acusações dos Estados Unidos de que o governo de Teerã estaria enriquecendo urânio para produção de armas nucleares. "Quem possui bomba atômica são os imperialistas e seus aliados pelo mundo(...) Eles (Estados Unidos) deveriam dar o exemplo antes de exigir. Deveriam destruir seu arsenal nuclear". Chávez, que também viaja para Nova York para participar da Assembléia Geral das Nações Unidas, afirmou que "no dia em que tomarmos a decisão de desenvolver energia nuclear com fins pacíficos, podemos fazê-lo, porque somos um país soberano, assim como Brasil e Argentina", afirmou o presidente venezuelano. Acordos energéticos A visita de dois dias do presidente iraniano foi marcada também pela assinatura de 29 acordos de cooperação e por uma visita a um dos principais centros produtores de petróleo, a região do rio Orinoco. Com capacetes vermelhos e cercados por técnicos petroleiros, Ahmadinejad e Chávez inauguraram na segunda-feira as atividades de perfuração de um poço petroleiro no Estado Anzoategui, a 550 km de Caracas. "Venezuela e Irã têm demonstrado que, juntos, fora do alcance da hegemonia e do alcance do imperialismo norte-americano, podem trabalhar e progredir", disse o presidente iraniano após o ato inaugural de abertura do poço. A perfuração foi o primeiro trabalho realizado em conjunto pela empresa Petróleos de Venezuela (Pdvsa) e a estatal iraniana Petropars. Se confirmadas as estimativas, a Faixa do Orinoco poderá conter 235 bilhões de barris de petróleo cru que, somados aos 88 bilhões já verificados, colocariam a Venezuela como a detentora da maior reserva petroleira do mundo, com 316 bilhões de barris.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.