Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Humala copia Lula ao tomar posse

Novo presidente diz que trabalhará 'sem rancor' e lança o slogan 'Peru para todos', mas promete só duas refeições diárias à população

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

O presidente do Peru, Ollanta Humala, repetiu slogans e promessas feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, ao assumir o cargo ontem. O novo líder anunciou que governará "um Peru para todos", em alusão ao "Brasil, um País de todos", o slogan de Lula. Enquanto o ex-presidente brasileiro prometera três refeições aos brasileiros em sua posse, Humala assegurou que os peruanos terão duas: café da manhã e almoço.

A presidente brasileira Dilma Rousseff participou da cerimônia, ao lado de outros 14 presidentes. O Congresso, onde ocorreu a solenidade de posse, foi palco de uma rápida guerra de torcidas políticas, envolvendo os aliados de Humala e do ex-presidente Alberto Fujimori (leia mais nesta página). Humala venceu a eleição em disputa de segundo turno contra a filha de Fujimori, Keiko Fujimori.

Apesar da semelhança nos propósitos e no discurso, o presidente Humala disse na posse que "não quer copiar modelos". Mas reconheceu que "tomará exemplos que deram certo, construindo um caminho próprio". A prioridade, resumiu, é o crescimento econômico com inclusão social.

Luiz Favre. O ex-marido da senadora Marta Suplicy (PT-SP), o ativista político franco-argentino Luiz Favre, que participou ativamente da campanha de 2002 de Lula, foi um dos auxiliares do novo presidente peruano, ajudando a transformá-lo em "Humala paz e amor" - um contraponto ao Humala chavista derrotado nas eleições de 2006. Favre, que agora faz assessoria e marketing eleitoral e ontem estava em Lima, colaborou na redação do discurso de posse do presidente peruano.

O novo líder, um coronel da reserva do Exército que foi afastado quando participou de uma tentativa de golpe contra o governo Fujimori, em 2000, disse que assumia "em missão de paz e não de guerra", e trabalhará "sem vingança e sem rancor".

Foram inúmeras as promessas de Humala em seu primeiro discurso. Depois de se declarar "um soldado da República, do estado de direito e da liberdade de imprensa", anunciou, sob aplausos de um Congresso lotado, o aumento do salário mínimo, que passará, em valores correspondentes, de R$ 340 para R$ 436 - no Brasil, é de R$ 545.

Samu brasileiro. Humala prometeu construir um hospital em cada cidade do país, a criação de um programa chamado SAMO (Serviço Atenção Móvel de Urgências), uma cópia do SAMU brasileiro, acesso aos medicamentos genéricos e a redução do preço do GLP (gás de cozinha). Parte dos programas de inclusão social será bancada com a taxação dos lucros das mineradoras que operam no país. Isso será feito, afirmou, depois de uma negociação com os empresários, sem rompimento de contratos.

Anunciou, também, que ampliará o programa "Juntos", de transferência de renda, que hoje atende 470 mil pessoas, mas que terá de chegar a todos os moradores dos 800 distritos mais pobres do país. Hoje, 34% da população peruana - mais de 10 milhões de pessoas - vive na pobreza extrema.

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