Humala é encurralado por multidão de oposicionistas

No principal incidente das eleições deste domingo no Peru, o candidato nacionalista Ollanta Humala foi hostilizado por uma multidão no momento em que votava na Universidade Ricardo Palma, em Surco, distrito de classe média alta de Lima. Por causa da confusão, Humala e sua mulher, Nadine, ficaram retidos no interior da seção eleitoral por mais de uma hora. Só depois de uma operação especial do batalhão de choque da Polícia Nacional, o casal pôde deixar a universidade, sob uma chuva de pedras, garrafas, cacos de vidro e lixo e gritos de "assassino". Em meio à tensão, que interrompeu a votação na universidade por quase duas horas, o líder da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos, o ex-chanceler canadense Lloyd Axworthy, e as principais autoridades da Justiça Eleitoral e das forças militares do Peru dirigiram-se ao local para "resgatar" Humala. O candidato sorria e demonstrava bom humor, apesar de acuado e retido pela turba, que em coro lhe dirigia insultos, qualificando-o de "tirano" e "maricón" - por não deixar o círculo que lhe dava segurança para enfrentar a multidão de peito aberto. Enquanto vidros eram quebrados no campus da universidade, crescia também o temor de um choque entre grupos que apoiavam Humala e os adversários do candidato nacionalista. Empenhados na segurança pessoal de Humala, os policiais haviam abandonado a tarefa de separar esse grupos. O confronto, que ameaçava a relativa tranqüilidade da eleição, acabou não ocorrendo. Inconformado, em violação á lei eleitoral peruana que proíbe manifestações partidárias no dia da votação, Humala convocou uma improvisada entrevista coletiva para manifestar-se sobre o incidente. Na sede de sua campanha, o candidato leu um manifesto no qual repudiava a ação do que chamou de "turba de provocadores" e responsabilizou seus adversários diretos - Lourdes Flores e Alan García -, o presidente Alejandro Toledo e os meios de comunicação do país pelos atos de hostilidade. Duas horas antes do encerramento das seções eleitorais, num evento transmitido por emissoras de rádio e TV do país, Humala pediu ao povo peruano que não se deixasse intimidar pelo que chamou de "bloco todos contra Ollanta" e não tivessem medo de "enfrentar a força de grupos políticos que seqüestraram a democracia do Peru". O candidato nacionalista encerrou a leitura do manifesto repetindo, sem dar crédito, a frase cunhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a eleição brasileira de 2002: "A esperança vencerá o medo." Guido Lombardi, o porta-voz da Unidade Nacional, de Lourdes, reagiu imediatamente às acusações de Humala. "Repudiamos essa violação das normas eleitorais por parte do candidato Ollanta Humala, que demonstra claramente o grau de respeito que ele tem sobre as leis", disse Lombardi. "Também não podemos aceitar suas denúncias levianas, que atribuem os atos lamentáveis, mas espontâneos, de hoje (domingo) na Universidade Ricardo Palma a seus adversários políticos."

Agencia Estado,

09 Abril 2006 | 17h28

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