Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Humala elogia Lula em busca de apoio interno

LIMA

, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2011 | 00h00

O candidato à presidência do Peru Ollanta Humala citou ontem o Brasil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não a Venezuela de Hugo Chávez, como exemplo de esquerda responsável na América Latina. Para o nacionalista, Lula conseguiu unir crescimento econômico e programas sociais eficazes, enquanto o projeto chavista não seria factível em seu país.

"Reconhecemos que há um processo bem-sucedido em andamento no Brasil, que promoveu um crescimento econômico que combina inclusão social com respeito pelo equilíbrio macroeconômico", disse Humala, que nesta campanha vem tentando se distanciar de Chávez. Nas eleições de 2006, o apoio do venezuelano foi considerado como um dos fatores que levaram à sua derrota para o atual presidente, Alan García.

O candidato, que recebeu 31,8% dos votos no primeiro turno, deu mais passos em direção ao centro em busca de apoio para a disputa com a deputada Keiko Fujimori, com a promessa de respeitar tratados de livre comércio e os investimentos estrangeiros no país. Juntos, o ex-ministro Pedro Pablo Kuczynski, o ex-presidente Alejandro Toledo e o ex-prefeito de Lima Luís Castañeda tiveram o apoio de 44% do eleitorado no domingo.

Segundo Humala, o foco de seu governo será melhorar a distribuição de renda, que nos últimos anos não acompanhou os altos níveis de crescimento econômico do país. "É necessário criar confiança para a população e dizer-lhes que a mudança será gradual e perene. Não haverá sobressaltos", disse Humala à rádio RPP. O candidato recordou que assinou um documento no qual se comprometeu a respeitar os contratos e buscar o crescimento do país, nos moldes da "Carta aos Brasileiros" feita por Lula em 2002.

O nacionalista falou ainda em buscar um entendimento amplo para a disputa contra Keiko. "O segundo turno é como o segundo tempo de um jogo de futebol. Precisamos alcançar o consenso entre as diversas forças trabalhistas, sindicais, sociais e políticas. Nesse diálogo ninguém é dono da verdade", disse.

PPK e Toledo evitaram se comprometer com apoios neste início de segundo turno. O ex-ministro cobrou dos dois candidatos a adesão a uma carta de compromissos que inclui a rejeição a mudanças constitucionais, uma posição contra a impunidade e a corrupção, o apoio à liberdade de expressão e aos direitos humanos e à economia de mercado.

Toledo, por sua vez, disse em sua conta no Twitter que ainda está avaliando a situação política. Logo após o primeiro turno, o ex-presidente havia indicado que dificilmente apoiaria Keiko. Segundo a imprensa peruana, no entanto, a coligação dele está dividida. Uma facção prefere a neutralidade. Outra cogita endossar a candidatura de Humala.

Em meio aos debates sobre apoios no segundo turno, o Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que já foi candidato à presidência, assegurou que nunca votará em Keiko. Ele pretende esperar como serão as alianças de Humala para decidir seu voto. "Seria desonroso votar nela. Foi uma das ditaduras mais atrozes que tivemos", disse. "Vou ver o que vai acontecer e quais são as reais condições que ele (Humala) estabelecerá alianças." Durante a campanha, o escritor chamou o segundo turno entre os dois de uma escolha entre o câncer e a aids.

Keiko, por sua vez, tentou se afastar do passado autoritário e corrupto do pai após ter se garantido no segundo turno. Ela prometeu o respeito absoluto pela democracia, liberdade de imprensa, direitos humanos e Constituição.

Sobre sua estratégia, a candidata prometeu buscar consonâncias entre seu programa de governo com Toledo, Kuczynski e Castañeda. "Espero ter a chance de falar com o senhor Kuczynski e que nossa proposta e nosso plano de governo sejam escutados por seus simpatizantes e todos os jovens que o apoiaram", disse. Em pesquisas feitas antes do primeiro turno, de 50% a 60% dos eleitores diziam que não votariam de jeito nenhum em Keiko e Humala. Para a consultoria de risco Eurasia, Humala tem mais chance de vencer. "Será um segundo turno muito disputado, mas a probabilidade é de 60%", disse o consultor Erasto Almeida. / AP e REUTERS

Apuração

31,68%

é o porcentual de votos de Humala no primeiro turno da eleição peruana, com 93,7% das urnas apuradas. Keiko Fujimori obteve 23,48%. Os outros três candidatos somados têm 44,09% da preferência do eleitorado peruano

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