Humala promete seguir Morales e rever contratos de empresas estrangeiras

O candidato nacionalista à presidência do Peru, Ollanta Humala, defendeu neste domingo a revisão dos contratos de todas as transnacionais que atuam no país e não pagam royalties ao Estado.Numa entrevista ao diário peruano La República, ele disse ter conversado com dirigentes de empresas brasileiras, espanholas, argentinas e canadenses e nenhuma delas se negou a dialogar com um eventual governo liderado por ele.O discurso de Humala é parecido com a retórica utilizada pelo atual presidente boliviano, Evo Morales, durante sua campanha para a eleição que venceu em dezembro. Na semana passada, Evo cumpriu a promessa e nacionalizou todo o negócio de gás e petróleo da Bolívia.Outra semelhança: a brasileira Petrobrás, a mais afetada pela decisão boliviana, atua no Peru em associação com o consórcio espanhol-argentino Repsol-YPF na exploração de parte da reserva de gás natural de Camisea, no sul do país.Humala disputa no dia 4 de junho o segundo turno da eleição presidencial peruana com o ex-presidente Alan García, da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra)."Vamos rever os contratos de todas as empresas estrangeiras, entre elas as mineradoras, que exploram nossos recursos", afirmou Humala. "O justo é que essas empresas nos paguem os royalties, sobretudo porque exploram recursos não renováveis que, de alguma maneira, causam danos ao meio ambiente."Comunidade Andina de NaçõesHumala disse que se reunirá neste domingo com Evo Morales em Copacabana, região boliviana perto da fronteira com o Peru. O candidato declarou que aproveitará o encontro com Evo para tentar convencê-lo a não se retirar da Comunidade Andina de Nações (CAN), como deve fazer a Venezuela.Ele criticou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos que o presidente peruano, Alejandro Toledo, firmou depois do primeiro turno da eleição presidencial do dia 7. Mas se declarou favorável ao estabelecimento de um acordo com a participação de todos os países da CAN e os EUA.Sobre o apoio implícito de Toledo a seu rival García no segundo turno, Humala afirmou "não ter dúvida" da existência de "um pacto de impunidade" entre os dois. "Isso visaria a evitar que a gestão de Toledo seja investigada pelo próximo governo", disse.Em seus comícios, Humala tem afirmado que uma de suas primeiras medidas, se eleito, será proibir Toledo de deixar o país. "Assim que receber a faixa presidencial de Toledo, direi a ele que não poderá sair do Peru", diz Humala.

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