Humala se reúne hoje com Lula após visitar Dilma

Presidente eleito do Peru busca demonstrar moderação e deixa para segunda etapa de encontros as viagens para Bolívia, Equador e Venezuela

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff recebeu ontem, no Palácio do Planalto, o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala. Em sua primeira viagem internacional após a vitória nas urnas, Humala esforçou-se em mostrar a imagem de político de esquerda moderado, em sintonia com o Brasil e distante da Venezuela de Hugo Chávez. Dilma confirmou que estará na posse de Humala, em 28 de julho, em Lima.

Logo após encontro com Dilma, Humala informou que pretende visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, em São Paulo.

Depois da reunião com o petista, o peruano deverá continuar seu giro pela América do Sul no Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile. Apenas numa segunda etapa Humala visitará Equador, Venezuela e Bolívia, países de governos de esquerda mais ruidosa na região.

"O Brasil é um parceiro estratégico, de muita importância no cenário mundial. Essa é a mensagem da nossa primeira viagem internacional", disse Humala.

Em busca de apoio dos mercados interno e externo, o presidente eleito do Peru reafirmou que cumprirá todos os acordos e dará prioridade ao desenvolvimento econômico com inclusão social.

Durante seu encontro com Dilma, o peruano ouviu uma explicação da presidente sobre o Plano Estratégico de Fronteira, lançado ontem no Planalto, para reformular a segurança na região e combater o crime organizado.

Na entrevista, Humala ressaltou a importância da parceria entre Brasil e Peru, que enfrentam problemas semelhantes, citando a desigualdade social, o narcotráfico e a falta de segurança. "O Brasil é um modelo de sucesso que combinou crescimento econômico e mobilidade social", afirmou.

O assessor de Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, disse que, independentemente de conotações ideológicas, o Brasil tem interesse em manter a aproximação com os demais países do continente.

"A nossa presença no mundo não pode se dar sem a companhia dos outros países da América do Sul. O Brasil não está preocupado em ter influência na região, mas em desenvolver um projeto de integração", afirmou Garcia.

O parlamentar peruano Daniel Abugattas, que pertence ao Partido Nacionalista, o mesmo de Humala, afirmou à agência Reuters que "um objetivo do presidente eleito é a abertura do mercado brasileiro". "Isso seria tão importante quanto um pacto de livre comércio com os EUA."

Apesar de manter uma relação construtiva com diplomatas americanos e encontrar com eles regularmente, analistas afirmam que Humala deverá forjar laços mais profundos com o Brasil, em vez dos EUA, por causa dos investimentos que empresas brasileiras já realizam no Peru na construção de estradas e represas.

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