Humala tenta acalmar mercados após vitória

Assessor do presidente eleito do Peru diz que não há razões macroeconômicas para instabilidade financeira; Bolsa de Lima recupera-se e sobe 7,22%

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

Assessores econômicos do presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, tentaram ontem acalmar o mercado financeiro, que reagiu negativamente à vitória do nacionalista na eleição de domingo. Um dos arquitetos de seu programa de governo, o economista Kurt Burneo, disse que não há razões macroeconômicas para a instabilidade financeira. Após queda de 12,45% na segunda-feira, a Bolsa de Lima recuperou-se e subiu 7,22% ontem.

De acordo com Burneo, a maioria dos bancos de investimento que atuam no Peru tem uma opinião favorável sobre as perspectivas do país. Além disso, ainda segundo ele, as agências de classificação de risco não rebaixaram a nota da dívida peruana após a eleição. "Nós, da equipe econômica, já esperávamos alguma volatilidade, mas contávamos também com uma recuperação e é o que está acontecendo", disse, sobre a alta da bolsa.

Para o cientista político Eduardo Toche, do Centro de Estudos de Promoção do Desenvolvimento (Desco), de Lima, a reação negativa do mercado financeiro já era esperada. "É a forma dos grupos que controlam a economia mostrarem a Humala o poder que têm, para que negociem nos termos deles. Isso é esperado e deve continuar acontecendo", afirmou ao Estado.

O assessor de Humala voltou a se comprometer com a estabilidade da economia, mas com uma ênfase em políticas sociais para distribuir renda. "Será a única diferença da política econômica de Humala. Para nós é uma questão fundamental e cumpriremos nossas promessas de campanha", acrescentou.

O presidente eleito falou brevemente com a imprensa ontem e pediu calma ao país. "Estamos fazendo o melhor e temos de continuar trabalhando", disse. No dia anterior, Humala havia prometido uma reconciliação nacional após a polarizada campanha do segundo turno contra a conservadora Keiko Fujimori.

Logo após a vitória nacionalista, empresários e políticos começaram a pressionar Humala pela divulgação dos nomes da equipe de governo, principalmente do ministro das Finanças e do presidente do Banco Central, responsáveis pela política econômica.

De acordo com Toche, Humala precisa entrar em acordo com o setor produtivo no período de transição. "Ele precisa chegar à posse em 28 de julho com um ambiente menos polarizado. A pergunta é até onde pode negociar". / COM AP

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