Humala vai ao 2º turno no Peru; adversário é dúvida

O nacionalista Ollanta Humala foi o candidato mais votado nas eleições presidenciais deste domingo no Peru e garantiu uma vaga no segundo turno, previsto para 7 de maio, de acordo com projeções de diversos institutos de pesquisa. O adversário de Humala, no entanto, ainda é uma incógnita. A apuração parcial e as projeções apontam um virtual empate na disputa pelo segundo lugar entre a advogada conservadora Lourdes Flores e o ex-presidente de centro-esquerda Alan García. De acordo com a ONPE (órgão que organiza as eleições no Peru), cerca de 52,7% dos votos foram apurados até agora. Humala lidera a disputa, com 27,8%, seguido por Flores, com 26,32%, e García, com 25,6%. Apesar de ainda ser necessário apurar mais de 47% dos votos, o resultado parcial confirma a tendência das projeções divulgadas por institutos de pesquisa a partir dos números oficiais. Projeções Os estudos das empresas Apoyo, CPI e Datum e da associação civil Transparência indicam que Humala obteve cerca de 29% dos votos. Flores aparece em segundo, com entre 23% e 25%, mas sua vantagem sobre García ficou dentro da margem de erro das projeções, de 1 ponto percentual, e constitui, portanto, um virtual empate. Segundo os institutos de pesquisa, as diferenças entre os números do resultado parcial e das projeções refletem o fato de que a apuração termina primeiro nas zonas urbanas, onde a vantagem de Humala é menor. A expectativa é de que a definição quanto ao segundo colocado só ocorra com a conclusão da apuração, que ainda pode durar alguns dias. Reações Os resultados foram recebidos com festa pela coligação União pelo Peru, de Humala, e com cautela pela Unidade Nacional, de Flores, e pelo Partido Aprista, de García. ?Agora precisamos construir paz e reconciliação entre os peruanos?, disse Humala. Flores disse estar otimista com os números, mas pediu que seus eleitores esperem os resultados oficiais ?com calma?. ?Em uma eleição anterior, reconheci a vitória do doutor García?, afirmou a candidata. ?Hoje, com os resultados de todas as projeções oficiais, espero que (García) tenha a grandeza de reconhecer os resultados que me colocam no segundo turno.? O ex-presidente, no entanto, também recomendou que seus partidários aguardem a apuração final ?com serenidade? e disse estar confiante de que é ele quem vai para a disputa com Humala. ?Há uma vantagem do Partido Aprista que, no curso das próximas horas, conforme cheguem os resultados oficiais e finais, se verificará e se comprovará no momento em que a ONPE der seu resultado final?, afirmou Alan García. Tumulto Em meio à expectativa pela definição dos resultados, a votação do domingo acabou marcada por um incidente ocorrido pela manhã, quando Humala se dirigiu a uma universidade no sul de Lima para votar. Na chegada ao local, o líder nacionalista foi cercado por jornalistas, simpatizantes e opositores. Durante a confusão, dezenas de manifestantes atiraram garrafas plásticas e outros objetos contra Humala, que foi chamado de ?assassino? e ?tirano?. Depois de votar, o candidato teve que esperar cerca de 40 minutos para sair do local em segurança, acompanhado pelo chefe da missão de observadores internacionais da OEA (Organização dos Estados Americanos), Lloyd Axworthy. ?É um incidente bastante sério, mas não significa que seja um padrão de conduta no resto do país, onde sabemos que tudo transcorre com normalidade?, disse Axworthy. Mais tarde, Humala causou ainda mais polêmica ao convocar uma entrevista coletiva para acusar seus adversários de organizar um ?ato fascista? para intimidá-lo. De acordo com o candidato nacionalista, o tumulto foi premeditado e os responsáveis pela confusão teriam sido Alan García, Lourdes Flores e o presidente do Peru, Alejandro Toledo. Os adversários de Humala reagiram às declarações do candidato e o acusaram de violar a legislação eleitoral ao fazer propaganda política com a votação ainda em andamento.

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