Humala vence eleição após adotar postura menos radical

O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, de 48 anos, começou cedo na arena política. Seu pai, Isaac, fundou um movimento político de esquerda, e as discussões sobre o tema eram comuns em volta da mesa de jantar. Humala tem três filhos com sua mulher, Nadine Heredia. O mais jovem, um menino, nasceu este ano. A mulher, 14 anos mais nova, ajudou a criar seu partido nacionalista, o Gana Peru, e age como sua secretária internacional.

AE, Agência Estado

06 de junho de 2011 | 13h14

Humala fez parte das Forças Armadas peruanas e chegou a ser coronel, antes da dispensa no final de 2004 pelo governo do então presidente Alejandro Toledo. Candidato no primeiro turno, Toledo apoiou Humala na disputa final com a deputada Keiko Fujimori, de 36 anos. Ontem, Humala foi o vencedor.

Humala liderou uma rebelião, que para alguns foi um show midiático, em 2000, nos últimos dias do governo do ex-presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko. O ex-líder agora está preso por corrupção e pela violenta repressão durante seu governo. Humala foi perdoado e enviado como adido militar a Paris. Posteriormente foi retirado do posto, pois realizava atividades políticas, sendo mandado para a Coreia do Sul.

No Peru, o irmão de Humala, Antauro, comandava um grupo distribuindo um jornal chamado "Ollanta", que pedia ações contra o governo de Toledo. Dias após Ollanta Humala ser afastado do Exército, Antauro liderou em 1º de janeiro de 2005 um levante armado contra uma delegacia nas montanhas, onde os rebeldes executaram quatro policiais. Naquela manhã, Ollanta Humala telefonou para uma emissora de rádio e leu um comunicado, afirmando que era dever de todos os cidadãos derrubar o governo de Toledo. Mais recentemente, Humala buscou distância do levante e disse que não tinha nada a ver com aquilo.

Em 2006, ficou perto da vitória, com o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Com uma postura mais radical, defendia mudanças na Constituição e mais poder para o Estado, além de atacar o Chile, vizinho com o qual o Peru tem rivalidades históricas.

Após a derrota, Humala foi se distanciando de Chávez, agora bastante impopular no Peru. Nesta eleição, apresentou-se como um moderado, buscando moldar uma imagem próxima à do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é mestre em Ciência Política, título obtido na Universidade Católica do Peru. Ele adora correr, e tem como seus heróis Napoleão e Charles de Gaulle.

Um cientista político da University of British Columbia, Maxwell Cameron, disse que essa moderação foi uma trajetória difícil para o candidato. "Muitos eleitores lembravam que Humala liderou um levante militar nos últimos dias do governo Fujimori, e posteriormente ofereceu apoio retórico a uma rebelião em Andahuaylas liderada por seu irmão, Antauro, em 2005", avaliou Cameron. "Seu próprio histórico no combate como soldado nos anos 1990 sugere possíveis abusos contra os direitos humanos", concluiu. As informações são da Dow Jones.

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