Human Rights Watch acusa Mugabe de 'terror' contra oposição

Grupo de direitos humanos aponta que principais vítimas são 'os traidores' do atual presidente do Zimbábue

Agências internacionais,

30 de abril de 2008 | 14h45

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch acusou o governo do Zimbábue de usar o Exército e militantes do partido da situação para espalhar "terror e violência" contra os oposicionistas. As vítimas principais são os que são apontados como traidores do atual presidente do país, Robert Mugabe, segundo o grupo de defesa direitos humanos.   Veja também: Líder da oposição vence eleição no Zimbábue, dizem fontes Zimbábue diz que debate de crise eleitoral na ONU é racista Partido de Mugabe perde maioria no Parlamento do Zimbábue   Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, 30, a entidade sediada em Nova York uniu-se a outros grupos que advogam em prol dos direitos humanos e a partidos oposicionistas, ao ligar a violência ocorrida desde o último mês às forças de segurança e aos chamados "veteranos de guerra" - grupos leais a Mugabe.   Uma pesquisadora do Human Rights Watch que voltou na segunda-feira de uma viagem de campo ao Zimbábue informou que os piores casos de violência ocorrem em tradicionais bastiões do partido de Mugabe. Nesses locais, eleitores têm se mostrado cada vez mais favoráveis ao oposicionista Movimento pela Mudança Democrática (MDC).   A violência "é uma forma de punição às pessoas que se voltaram contra o partido no poder", disse a pesquisadora Tiseke Kasambala. "O governo está na verdade mirando esses bastiões e algumas das áreas onde pensa que deveria ter vencido."   Segundo Tiseke, a organização a que pertence recebeu nos últimos dias relatos de mais de 100 funcionários das seções eleitorais que foram detidos em uma província no leste do país. Para ela, isso é mais um indício de que o governo e seus partidários estão se vingando dos acusados de trair Mugabe.   A administração federal argumenta que os responsáveis pela violência são os oposicionistas. Mugabe tem sido acusado de usar a violência e intimidação desde 29 de março, quando o país teveeleições presidenciais.   A pesquisadora informou que o Human Rights Watch confirmou duas mortes, mas ela temia que esse número fosse na verdade bem maior, particularmente no norte do país, onde amplas áreas foram totalmente isoladas pelas forças oficiais.   Ainda nesta quarta-feira, fontes do alto escalão do governo informaram que o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, venceu Mugabe na eleição presidencial do país, com 47% dos votos, contra 43% obtidos pelo atual presidente. Uma fonte disse à agência Reuters que um segundo turno seria necessário porque Tsvangirai não teve votos suficientes para uma vitória na primeira votação.

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