Human Rights Watch acusa procurador-geral colombiano

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou, em relatório, o procurador-geral da Colômbia, Luiz Camilo Osorio, de ter bloqueado investigações de graves casos de violações dos direitos humanos ocorridos no país sul-americano. "Os resultados (de sua gestão) não são pobres, simplesmente não existem", disse o diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco, ao apresentar o documento nesta sexta-feira.O relatório afirma que o estancamento e os retrocessos nos casos ocorrem por falta de apoio aos investigadores, pela ausência de proteção adequada a funcionários cujas vidas estão em perigo e pela demissão ou renúncia forçada de agentes veteranos."A condução desses casos pelo procurador-geral acabou por promover uma percepção já comum entre militares e paramilitares, de que os abusos contra os direitos humanos são aceitáveis na guerra", analisou o HRW, no informe publicado em inglês.Vivanco comentou que sua organização observa com preocupação o retrocesso nos esforços para identificar e cortar os vínculos entre as forças armadas regulares e os grupos paramilitares.O informe cita dois dos mais emblemáticos casos de abusos ocorridos durante a gestão de Osorio.O primeiro é o caso do general da reserva Rito Alejo del Río, comandante militar na região de Urabá na época em que ocorriam ali os mais graves massacres promovidos pelos paramilitares de direita.Del Río foi detido no fim de julho de 2001 por seus supostos vínculos com os paramilitares, mas foi libertado em agosto do mesmo ano, quando Osorio assumiu a procuradoria-geral.O outro caso ocorreu em Chengue, onde, segundo a HRW, as autoridades navais foram negligentes ao permitirem que esquadrões paramilitares assassinassem mais de 25 pessoas consideradas colaboradoras das guerrilhas de esquerda.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 18h24

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