Human Rights Watch pede suspensão de execuções

A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu nesta segunda-feira em comunicado que o Governo iraquiano suspenda as execuções dos dois colaboradores de Saddam Hussein condenados à morte e que podem ser enforcados a qualquer momento.Segundo a reconhecida organização humanitária, os planos para executar Barzan al-Tikriti e Awad al-Bandar "refletem a inquietante indiferença do Governo iraquiano com os direitos humanos e o império da lei".Os dois foram condenados à morte pelo "caso Dujail", o julgamento sumaríssimo que em 1982 enviou à forca 148 xiitas por sua implicação em um atentado frustrado contra Saddam no povoado de Dujail, quando Barzan era o chefe dos serviços de inteligência e Bandar o presidente do Tribunal Revolucionário que condenou os xiitas.O HRW já criticou a realização do julgamento contra Saddam e sete colaboradores pelos fatos de Dujail, ao considerar que não foram respeitadas várias garantias processuais e que os acusados e a defesa não puderam gozar de todos os seus direitos."A execução destes dois (condenados), por mais odiosos que sejam os crimes em que estivessem envolvidos, é um castigo cruel e desumano, que não fará mais além de afundar um processo muito duvidoso em um maior descrédito", assinalou Richard Dicker, diretor do "programa de justiça" da HRW.A organização censura também o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, por ter afirmado que Saddam não merecia um julgamento justo. Para o HRW, a rejeição a qualquer crítica é comparável às práticas do antigo partido único iraquiano Baath, que escondia assim suas contínuas violações aos direitos humanos.Inclusive considerando unicamente a lei iraquiana como referência, o HRW duvida que se tenha cumprido a legalidade, pois se acredita - embora não esteja confirmado - que o presidente do país, Jalal Talabani, não assinou a sentença de morte, quando qualquer condenação deste tipo deve ter sua assinatura.

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