EFE/King Rodriguez
EFE/King Rodriguez

Human Rights Watch qualifica de ‘calamidade’ o primeiro ano de mandato de Duterte

Segundo a ONG, a política de ‘guerra contra as drogas’ promovida pelo líder filipino já matou mais de 7 mil pessoas; campanha causou ‘uma redução drástica no respeito aos direitos básicos desde a posse’ do presidente

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2017 | 12h44

MANILA - A organização Human Rights Watch (HRW) qualificou nesta quarta-feira, 28, como uma "calamidade" para os direitos humanos o primeiro ano de mandato do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, em razão de sua "guerra contra as drogas”. Segundo a ONG, essa política já levou a mais de 7 mil mortes no país.

A campanha "assassina" de combate às drogas, além da "perseguição" aos que a criticam, e a massificação das prisões nas Filipinas, "causaram uma redução drástica no respeito aos direitos básicos desde a posse de Duterte no dia 30 de junho de 2016", denunciou a organização em um comunicado.

A HRW indicou que, segundo dados do governo filipino, entre os mortos da campanha contra as drogas há 3.116 supostos dependentes químicos e traficantes abatidos pelas forças de segurança que teriam oferecido resistência durante as operações policiais.

A organização atribuiu as outras mortes à ação de assassinos de aluguel e milícias populares que se amparam na impunidade oferecida por Duterte, apesar de, em sua maioria, estes casos serem considerados oficialmente como "homicídios sob investigação".

A HRW também culpou o governo de Duterte pelo assédio dos seguidores do presidente aos críticos da campanha antidrogas, e denunciou a prisão "por motivos políticos" da senadora Leila de Lima, uma das críticas mais ferrenhas da atual administração.

Em paralelo, a ONG afirma que a cruzada contra as drogas "piorou as já deploráveis condições das instalações carcerárias das Filipinas, incluindo alimentos inadequados e condições insalubres".

As prisões das Filipinas, cuja capacidade total é de 20.399 internos, acolhem atualmente 132 mil reclusos, segundo dados das autoridades penitenciárias. A superlotação é atribuída pela HRW ao aumento das prisões de suspeitos de crimes relacionados às drogas.

Rodrigo Duterte completará na sexta-feira um ano de mandato, no qual recebeu numerosas denúncias de violações dos direitos humanos, mas manteve uma alta popularidade, com índices de aprovação próximos de 80%.

O presidente prometeu em diversas ocasiões limpar as Filipinas de traficantes de drogas e dependentes químicos ao considerar que essas substâncias, e especialmente a metanfetamina, estão destruindo as novas gerações do país.

Desde que Duterte chegou ao poder, as autoridades afirmam que os delitos caíram 30%, mais de 1 milhão de usuários de drogas e traficantes se entregaram à polícia, e mais de 65 mil suspeitos foram detidos. / EFE

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