Humorista egípcio acusado de insultar presidente é solto sob fiança

Promotores egípcios interrogaram neste domingo o mais famoso humorista do Egito, Bassem Youssef, que está sendo acusado de insultar o presidente do país, Mohamed Mursi, e o Islã, num caso que ampliou o temor da oposição sobre a repressão aos dissidentes.

Reuters

31 de março de 2013 | 12h51

Youssef se entregou depois que o procurador-geral emitiu uma ordem de prisão contra ele, no sábado. Ele foi libertado sob fiança de 15 mil libras egípcias (2.200 dólares), disse um funcionário do gabinete da procuradoria.

Youssef se tornou famoso com um programa humorístico online depois do levante popular que levou à derrubada de Hosni Mubarak, em 2011. Seu programa, comparado ao Daily Show, do humorista norte-americano Jon Stewart, está sendo agora exibido pela TV egípcia.

O comediante é acusado, entre outras coisas, de minar a posição do presidente Mohamed Mursi. O procurador-geral emitiu a ordem de prisão após pelo menos quatro ações judiciais de partidários de Mursi.

Ao chegar ao gabinete do procurador, Youssef portava um modelo gigante de um chapéu de graduação (capelo) usado pelo presidente quando recebeu um título honorário no Paquistão, no começo de março.

Youssef tem usado o chapéu em seu programa, de grande audiência, em uma das várias piadas que faz do presidente. No ano passado, ele fez piada sobre o uso repetido, por Mursi, da palavra "amor". Youssef interpretou uma canção de amor para um travesseiro vermelho no qual estava impressa a imagem do presidente.

O interrogatório do comediante elevou os temores sobre a liberdade de expressão no Egito pós-Mubarak.

"É uma escalada numa tentativa de restringir o espaço para a expressão crítica", disse Heba Morayef, diretora da Human Rights Watch, no Egito.

O destacado político liberal Mohamed ElBaradei afirmou que esse é o tipo de ação vista somente em "regimes fascistas". "É a continuação dos atos feios e fracassados para frustrar a revolução", afirmou.

O questionamento de Youssef ocorreu depois que o procurador-geral emitiu cinco ordens de prisão contra destacados ativistas políticos acusados de incitar a violência contra a Irmandade Muçulmana, o grupo que levou Mursi ao poder na última eleição.

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