AP/Darko Vojinovic
AP/Darko Vojinovic

Hungria declara estado de emergência e começa a prender imigrantes na fronteira

Governo húngaro afirma que decisão de bloquear fluxo é uma tentativa de ‘salvar os valores cristãos’ da Europa; novos naufrágios no Mar Egeu matam 22

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 20h20

HORGOS, SÉRVIA - A Hungria declarou nesta terça-feira estado de emergência ao longo de sua fronteira com a Sérvia e prendeu 174 imigrantes sob a vigência da nova lei que torna crime a imigração ilegal no país. O governo húngaro ameaçou processar e prender outros que tentarem entrar ilegalmente pela passagem com o país vizinho.

Ao mesmo tempo, o fluxo de pessoas que chegam ilegalmente ao continente não deu sinais de redução e nesta terça-feira mais dois naufrágios de embarcações precárias no Mar Egeu mataram 22 pessoas. A Guarda Costeira turca informou que 211 imigrantes foram resgatados, enquanto mergulhadores retiraram os corpos dos 22 pessoas, entre eles 4 crianças. Uma das embarcações era de madeira.

Um dia após ministros da União Europeia não conseguirem encontrar uma solução substancial para a crise, os líderes da Alemanha, Angela Merkel, e da Áustria, Werner Faymann, fizeram um apelo para que os demais chefes de governo do bloco se reúnam para discutir a crise.

De acordo com a agência Reuters, 174 pessoas foram presas nesta terça-feira por tentar cruzar a fronteira da Sérvia com a Hungria, que ganhou reforço com as cercas de arame farpado do lado húngaro. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirmou que seu governo decidiu bloquear a rota usada por refugiados muçulmanos para “salvar os valores cristãos da Europa”. 

Foi estabelecida uma “zona de trânsito” ao longo da fronteira com a Sérvia. Dentro dessa área, segundo o porta-voz de Orbán, Zoltan Kovacs, apenas aqueles que já enviaram os papéis para requerer o asilo terão permissão para entrar. Os demais teriam de retornar para a Sérvia.

Na tarde desta terça-feira, a Hungria disse ter recebido 48 pedidos de asilo na zona de trânsito e rejeitado 13. A atitude do governo húngaro desencadeou uma reação na Sérvia.

O ministro sérvio de Relações Exteriores, Ivica Dacic, considerou “inaceitável” a atitude do país vizinho, segundo a agência Reuters.

Falando da cidade fronteiriça de Horgos, o ministro sérvio do Trabalho, Aleksandar Vulin, afirmou que a situação poderia criar uma “espiral fora do controle”. Ele pediu à Hungria que abra suas fronteiras e permita aos refugiados pedirem asilo dentro de seu território.

Segundo Vulin, os imigrantes continuavam chegando de “todas as direções” e pelo menos mil deles estavam presos em uma “terra de ninguém”. O ministro afirmou que a Sérvia poderia fornecer comida, água e transporte para acampamentos temporários, mas acrescentou que a crise não poderia ser resolvida sem a cooperação da Hungria. Alguns dos imigrantes na fronteira ameaçaram fazer greve de fome e gritavam: “Abram, abram, abram”.

O governo húngaro construiu uma cerca de 175 quilômetros em sua fronteira com a Sérvia para conter a chegada de refugiados e colocou 900 policiais e 4,3 mil militares na região. Este ano, o país registrou mais de 180 mil refugiados que entraram no país de forma ilegal, embora a maioria tenha seguido para Alemanha, Holanda e nações da Escandinávia.

O Ministério das Relações Exteriores da Hungria informounesta terça-feira que o país tem planos de construir uma cerca anti-imigrante também na fronteira com a Romênia. 

A Áustria, por sua vez, comunicou à Comissão Europeia que a partir da zero hora de quarta-feira estabeleceria controles em suas fronteiras. O governo tomou a decisão por decreto e a ministra do Interior, Johanna Mikl-Leitner, enviou uma carta à Comissão Europeia explicando que a medida é, em princípio, temporária. A prioridade será resolver o problema nas fronteiras leste e sul, ou seja, com a Eslováquia, Hungria, Eslovênia e Itália. 

O tratamento recebido pelos refugiados foi duramente criticado por ONGs de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, para as quais as condições nos centros de amparo são “desumanas”. / NYT, REUTERS, AP e EFE 

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