Zoltan Gergely Kelemen/MTI via AP
Zoltan Gergely Kelemen/MTI via AP

Hungria diz ter obrigação de controlar fronteira da Europa

Em carta, embaixador húngaro no Brasil reforça resposta dada por seu governo sobre barreira na fronteira com Sérvia

O Estado de S. Paulo

02 de março de 2017 | 04h00

"Acompanho com interesse a série de reportagens sobre a crise migratória da União Europeia com foco especial na Hungria com o título "Barrados". Para mim, o Estadão sempre foi um modelo de jornalismo de qualidade. Por esta razão, e para melhor entendimento dos aspectos tratados nas reportagens, gostaria de compartilhar algumas considerações sobre o assunto.

A Hungria faz parte da União Europeia e sua fronteira com a Sérvia representa o limite externo da União, com regras bem estabelecidas para admissão de migrantes e refugiados. Assim sendo, a Hungria tem a obrigação de controlar as fronteiras, além de registrar todos ingressantes.

Na fronteira sérvio-húngara há sete entradas oficiais, ou seja, uma a cada 25 quilômetros. Quatro delas estão abertas 24 horas. Mantemos dois pontos especiais para o atendimento dos refugiados onde qualquer um pode entregar seu pedido de asilo, receber ajuda médica e auxílio de intérprete. Ao se dirigir aos postos de atendimento referidos, todos têm a possibilidade de entrar legalmente em território húngaro, sem a necessidade de violar as fronteiras. Nos últimos dois anos, recebemos, em total, 206 567 pessoas que pediram asilo.

A cerca erguida serve para evitar as entradas ilegais. Infelizmente, como mencionado no artigo, há quem queira cruzar as fronteiras da União Europeia de maneira ilegal: sem a devida fiscalização, por cima da proteção perimetral, desrespeitando as leis com a "ajuda" de traficantes de pessoas, os "coiotes", que auferem lucros aviltantes com esse tráfico humano. Transgredir as fronteiras de forma ilegal é crime - em qualquer país, incluindo a Hungria. O policiamento das fronteiras húngaras está sendo moiiitorizado pelos órgãos competentes internacionais. Eventuais queixas ou irregularidades  são sempre investigadas.

Para completar o panorama, gostaria de chamar a atenção a uni fato raramente citado. As pessoas que se dirigem à fronteira sérvio-húngara, já há muito que saíram da zona de guerra da Síria, tendo passado por 3 a 4 países seguros nos Balcãs. Frequentemente, por incentivo dos traficantes de pessoas, estes migrantes continuam seu caminho rumo ao Europa Ocidental, não porque correm perigo, mas no desejo de alcançar países de melhores condições econômicas. Ressalta-se que o status de refugiado nâo se aplica automaticamente a qualquer migrante, mas requer a observância de condições regulamentadas por organizações internacionais.

Para os refugiados, a Hungria fornece toda a ajuda humanitária necessária: abrigo, alimentação, assistência médica, ajuda financeira, apoio ás famílias para que os filhos possam estudar. Em 2016, ajudamos além dos nossos limites: o dinheiro gasto com o atendimento de cada refugiado foi superior ao salário mínimo nacional. Pelas condições em que os migrantes se encontram em outros países não me parece justo responsabilizar a Hungria.

Os húngaros constituem um povo acolhedor que, infelizmente, bem sabe o que significa ser refugiado. No século passado, por conta das guerras e dominação estrangeira, centenas de milhares de nossos compatriotas foram compelidos a emigrar da Hungria, refugiando-se em outros países. Até hoje, somos muito gratos aos países que os acolheram, incluído o Brasil. É, porém, importante registrar: os húngaros que se refugiarani no Brasil e nos outros países, nunca o fizeram violando fronteiras, nem desrespeitando as leis dos países que os acolheram."

Norbert Konkoly

Embaixador da Hungria no Brasil

 

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