Sergey Ponomarev/The New York Times
Sergey Ponomarev/The New York Times

Hungria envia tropas para conter refugiados e UE busca ação militar contra traficantes

Budapeste autoriza soldados a abrir fogo para impedir entrada de imigrantes

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, GENEBRA, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 21h00

Diante de um novo recorde de refugiados atravessando as fronteiras nas últimas 48 horas, governos europeus prepararam nesta quinta-feira o uso de força militar para conter o volume de pessoas.

A Hungria realizou manobras com seu Exército na fronteira com a Sérvia, enquanto a União Europeia (UE) enviou um projeto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU pedindo autorização para o uso de tropas no Mediterrâneo.

Nos últimos dois dias, a tensão nas fronteiras ganhou uma nova dimensão, com crises em Dinamarca, Grécia, Macedônia e Sérvia. Desde janeiro, mais de 360 mil pessoas entraram na Europa. Nas últimas 36 horas, mais de 5 mil refugiados chegaram à fronteira entre a Sérvia e a Hungria, um novo recorde. A ONU estima que, até a segunda-feira, 40 mil pessoas terão desembarcado na Hungria.

Viena anunciou nesta quinta-feira que, diante do fluxo, suspendeu o trem que vai para a cidade a Budapeste. “Seria irresponsável deixar que as pessoas continuassem a chegar e dormir na estação”, disse o governo austríaco.

Segundo a ONU, a aceleração do fluxo ocorre em razão da entrada em vigor de leis mais duras na Hungria contra os estrangeiros, com início previsto para terça-feira.

O novo ministro da Defesa da Hungria, István Simicskó, informou que o governo está pronto para enviar à fronteira 4 mil militares. Eles terão autorização para disparar e os grupos ainda vão contar com canhões de água e outros métodos para dispersar multidões.

O próprio governo admite que “cenas complicadas” devem ser esperadas nas próximas semanas. Ontem, o governo húngaro iniciou exercícios militares e indicou que poderá usar as tropas nos próximos dias. A partir do dia 15, o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán promete endurecer as regras e coibir a entrada dos estrangeiros.

Zonas especiais serão montadas para que refugiados possam fazer o pedido de asilo. Três dos centros serão erguidos do outro lado da fronteira, na Sérvia. 

Apenas quem ganhar o status de refugiado será autorizado a entrar na Hungria. O projeto do governo é tratar cada caso em três horas e, rapidamente, rejeitar centenas de pedidos. 

Quem entrar de forma ilegal será capturado, colocado numa prisão e expulso do país. Os protestos por parte de refugiados na fronteira passarão a ser lidados como atos criminosos. 

Voto. Quem quer também recorrer aos militares é a Comissão Europeia. Ontem, o bloco apresentou ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução pedindo autorização para o uso de navios militares e operações de força contra traficantes que organizam as travessias nas águas da Líbia.

A nova resolução autorizaria as forças europeias a subir em barcos e inspecionar casos suspeitos. Se migrantes forem encontrados, eles serão atendidos e mandados para a Itália, onde poderão pedir asilo. Mas os barcos seriam confiscados e destruídos. Ações legais seriam tomadas contra os traficantes. 

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