Hungria evacua cidade temendo novo incidente tóxico

A cidade húngara de Kolontar foi evacuada neste sábado, diante dos temores de um novo vazamento de metais pesados do reservatório de uma fábrica de processamento de alumínio localizada nos arredores, segundo autoridades. Os resíduos tóxicos da lama vermelha derramados pela fábrica, no início da semana, já mataram sete pessoas. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, afirmou, neste sábado, que as paredes do reservatório de lama vermelha "muito provavelmente" vão ruir. O premiê descreveu a situação como dramática e disse que a cidade de Kolontar foi evacuada por precaução porque os engenheiros determinaram que a evolução das fissuras do reservatório sugere que todo o enorme núcleo de armazenamento pode vir abaixo.

AE-AP, Agência Estado

09 de outubro de 2010 | 09h58

"Trincas apareceram na parede do lado noroeste do reservatório, o que torna bastante provável que toda a parede possa desabar", afirmou Orban, em entrevista concedida em um prédio do Corpo de Bombeiros em Ajka, uma cidade próxima a Kolontar que está recebendo vários dos habitantes desalojados. "As condições das paredes são muito ruins", disse.

"Nós começamos a construir barragens na direção de áreas populosas para desacelerar a avalanche de lama, no caso de um novo incidente", afirmou Orban. O primeiro-ministro declarou que especialistas estimam que - dependendo da densidade da lama - cerca de 500.000 metros cúbicos de produtos tóxicos podem escapar do reservatório se as paredes desabarem, mas observou que era difícil prever uma quantidade exata. Orban disse que o volume seria metade da avalanche inicial de lama. "Nós não temos informações exatas sobre a natureza do material porque uma catástrofe como essa nunca aconteceu antes no mundo", disse. "Nós apenas deduzimos a quantia do material e a distância que ele pode alcançar para fora do contêiner de armazenamento".

Orban disse que o incidente poderia ter sido evitado. "A Hungria nunca vivenciou uma tragédia como esta e nós estamos estarrecidos", disse. "Erros humanos e falhas podem ter ocorrido e as consequências legais serão muito sérias."

Além das sete mortes, mais de 120 pessoas ficaram feridas quando uma quina do reservatório se rompeu, liberando até 700.000 metros cúbicos (184 milhões de galões) de lama tóxica, que tomaram várias cidades localizadas no Oeste da Hungria. O volume de material tóxico derramado não é muito inferior aos 200 milhões de galões (757 milhões de litros) que vazaram após a explosão de uma plataforma no Golfo do México da British Petroleum ao longo de vários meses.

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