Hungria: judeus ameaçam a 'segurança', diz deputado

Um deputado da extrema direita húngara, Marton Gyongyosi, sugeriu nesta terça-feira no Parlamento do país que os judeus representam uma ameaça "à segurança nacional" da Hungria, e afirmou que os húngaros deveriam saber quantas pessoas de origem judaica fazem parte do corpo político e também do governo. Os comentários de Gyongyosi foram rechaçados por políticos e grupos de defesa dos direitos humanos. Gyongyosi faz parte do Jobbik, um partido da extrema direita.

AE, Agência Estado

27 Novembro 2012 | 23h13

"Eu penso que agora chegou o momento de avaliar quantas pessoas de origem judaica estão aqui, especialmente no Parlamento e no governo da Hungria e que representam um certo risco para segurança nacional do país", disse Gyongyosi. Ele fez os comentários em meio a críticas à chancelaria da Hungria, por ela ter se alinhado com Israel e, segundo o deputado, não ter defendido os direitos dos palestinos.

Na Hungria, país que teve um violento antissemitismo no século passado, comentários dessa natureza costumam ser rechaçados pelo governo. Cerca de 550 mil judeus húngaros foram mortos no Holocausto, dos quais um terço no campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia. Atualmente, existem cerca de 100 mil judeus no país. Embora ataques físicos contra a população judaica sejam raros, memoriais do Holocausto têm sofrido vandalismo nos últimos anos.

Em comunicado publicado após os comentários do deputado, o governo húngaro disse que "condena categoricamente" o discurso de Gyongyosi. O Partido Socialista, da oposição, pediu que seja aprovada uma lei contra discursos de ódio. O Jobbik, que é o segundo maior partido da oposição, tem feito discursos violentos não apenas contra os judeus, como também contra os ciganos.

As informações são da Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.