Alan Santos / PR
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Hungria, Polônia e Itália: os países que Ernesto Araújo irá visitar

Liderados por partidos populistas e de direita, países formam uma espécie de liga anti-Europa e defendem um tipo peculiar de democracia que classificam de 'não liberal'

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2019 | 19h08

O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, iniciou nesta terça-feira, 7, um tour por Itália, Hungria e Polônia, países com os quais buscará ampliar os negócios, principalmente na área de defesa. Ele também vai preparar terreino para a visita do presidente Jair Bolsonaro aos mesmos países ainda este ano.

Os três países se tornaram os maiores expoentes de governos de direita na Europa, e formam uma forte aliança com pendores antieuropeus e contrários à integração promovida pela União Europeia. A seguir, um Raio-X dos países que serão visitados por Ernesto Araújo.

Hungria

Defensor do que chama de “democracia não liberal”, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, conseguiu em abril do ano passado sua terceira vitória consecutiva nas urnas, unindo nacionalistas e ultraconservadores. Sua vitória consolidou o país como líder na aliança regional anti-Europa. A medida mais visível do Governo do Fidesz foi a construção de uma cerca elétrica para blindar suas fronteiras contra a imigração. 

O primeiro-ministro húngaro, que se apresenta como o grande defensor e o salvador dos valores cristãos tradicionais, continua sendo um modelo para seus vizinhos. Ele foi o pioneiro nas reformas das instituições para manutenção do seu partido no poder, como o sistema eleitoral, a Constituição e o sistema de Justiça. Também foi um dos primeiros a rejeitar a política migratória. A vitória do Fidesz também reforça o chamado Grupo de Visegrad (V4), formado por PolôniaHungria Eslováquia, além da República Checa, países que defendem este modelo “não liberal”. 

Desde sua chegada ao poder, em 2010, Orban promoveu uma uma série de reformas para consolidar seu poder, valendo-se da supremacia que tinha no Congresso. Modificações que modelaram o Estado húngaro para transformá-lo numa nação que promove a primazia dos valores cristãos e o nacionalismo. 

As principais reformas foram no sistema eleitoral, que facilitaram as vitórias do Fidesz, e no Judiciário. Sua reforma da Justiça viveu seu último capítulo no ano passado, com a aposentadoria forçada de 30 juízes do Supremo que pavimentaram o caminho para indicações de Orbán. Dentro de seu novo esquema social, o Governo limitou os subsídios a organizações de direitos civis e eliminou do currículo escolar qualquer menção à educação sexual, além de retirar o financiamento para tratamentos de reprodução assistida.

O Parlamento da Hungria aprovou um pacote de medidas que criminaliza ajuda a imigrantes sem documentos. Orbán elegeu o empresário húngaro-americano George Soros e as ONGs que sua Fundação Soros apoiava no país como inimigos. Sua perseguição obrigou a  Universidade Centro-Europeia, uma instituição liberal com sede em Budapeste e financiada por Soros, a mudar para Viena.

Área Total

93.030 quilômetros quadrados

População

9,982 milhões 

Principais cidades

Budapest: 1,740 milhão

Debrecen: 208 mil

Szeged: 170 mil

Miskolc: 167 mil

Polônia

O Governo do partido Lei e Justiça (PiS) empreendeu na Polônia uma profunda guinada à direita. O partido ultraconservador chegou ao poder em dezembro de 2015, o ano da crise migratória. Seu programa combinava ataques às elites sociais e políticas − de Varsóvia e da União Europeia − e mensagens contra a imigração. Os nacionalistas obtiveram maioria absoluta. Depois de quase cinco anos sob a batuta do nacionalista PiS, a sexta economia da UE deu um considerável giro para um autoritarismo disfarçado de democracia. 

O PiS promoveu uma série de medidas para controlar o Judiciário, atacando a Corte Constitucional pela cooptação ou pela nomeação legalmente contestável de juízes, e o Ministério da Justiça polonês tentou fazer o mesmo com relação aos juízes de direito comum. O sistema educacional é aparelhado, de maneira a veicular um ensino patriótico, de exaltação à identidade nacional.

Os serviços de informação, sob o controle do partido, gozam de um poder crescente, e, prescindindo de censura formal, o Executivo tenta a todo custo controlar os jornalistas, expostos a uma rotina de intimidações. O partido Lei e Justiça (PiS) continuará a implementar políticas nacionalistas controversas pelo menos até a eleição parlamentar de 2019 - onde ainda é favorito para ganhar. Seu fracasso em lidar com questões de estado de direito pode levar a UE a tentar impor sanções à Polônia. 

O Banco Mundial estima um crescimento do PIB de 5,1% em 2019, impulsionado pelo crescimento do consumo privado e pela recuperação do investimento. 

Área total 

311.889 quilômetros quadrados 

População

38,3 milhões 

Principais cidades

Varsóvia (capital): 1,749 milhão

Cracóvia 762 mil

Lodz: 699 mil

Wroclaw: 637 mil

Poznán: 542 mil

Gdansk: 463 mil

Itália

A eleição de 4 de março de 2018 produziu uma vitória do movimento anti establishment Movimento 5 Stelle (M5S), que ganhou cerca de 32% dos votos, e do movimento de direita e anti-imigração La Lega, que ganhou cerca de 17%. O M5S e o Lega concordaram em formar um governo de coalizão em 31 de maio e governa unido desde então. Novas eleições devem acontecer apenas em 2023, a não ser em caso de crise política.  

O governo foi um desafio para a União Europeia, particularmente em relação às regras de política fiscal. A economia do país passa por uma crise, com o crescimento real do PIB desacelerando de 0,8% em 2018 para 0,3% em média em 2019-20 e em torno de 1% em 2021-23.

Área Total 

301.340 quilômetros quadrados 

População

59,4 milhões de habitantes (ONU)

Maiores cidades: 

Roma: 2,872 milhões

Milão: 1,337 milhão

Nápoles: 978 mil

Turim: 899 mil

Palermo: 678

 

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