AFP PHOTO / ANWAR AMRO
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Em anúncios, Hungria tenta convencer refugiados sírios a não entrarem no país

Em comunicados publicados em jornais libaneses, governo húngaro destaca que tomará ‘ações severas’ contra as pessoas que tentarem entrar ilegalmente em seu território

O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 12h41

BEIRUTE - O governo da Hungria tenta nesta segunda-feira, 21, convencer os refugiados sírios assentados no Líbano a não entrarem em seu território, por meio de anúncios publicados em árabe e em inglês nos periódicos libaneses.

"Os húngaros são hospitaleiros, mas tomarão ações severas contra aqueles que tentarem entrar de modo ilegal na Hungria", diz o anúncio de página completa publicado nos jornais.

O texto acrescenta que "a travessia ilegal das fronteiras do país é um crime castigado com prisão" e pede aos refugiados que "não escutem os traficantes". "A Hungria não permitirá que os imigrantes ilegais atravessem por seu território", insiste.

O Líbano tem aproximadamente 1,2 milhão de refugiados sírios e cerca de 630 mil da Jordânia. Os imigrantes fogem da violência e da pobreza. A guerra civil da Síria já matou mais de 250 mil pessoas. 

Popularidade. O partido de direita grego Fidesz aumentou significativamente sua liderança sobre os principais grupos de oposição entre junho e setembro, muito provavelmente em razão de sua política de repressão aos imigrantes, revelou o instituto de pesquisa Ipsos nesta segunda-feira.

O governo do primeiro-ministro Viktor Orbán construiu uma cerca para impedir a entrada de imigrantes a partir da fronteira com a Sérvia e agora está construindo outra, também com 3,5 metros de altura, na fronteira com a Croácia.

Sob as novas leis impostas por Orbán, muitos daqueles que buscam formalmente asilo na Hungria podem ser rejeitados dentro de poucas horas. Ele diz que a Europa corre o risco de ter o número de muçulmanos superando o de cristãos, e seu governo estabeleceu uma campanha anti-imigração.

O Ipsos disse que o apoio ao partido Fidesz, de Orbán, subiu para 24% em setembro ante 20% em junho, enquanto a segunda força política, o grupo de extrema-direita Jobbik, caiu de 15% para 14%. Os socialistas subiram de 9% para 10%.

Lei. O Parlamento da Hungria aprovou nesta segunda-feira  leis que permitem empregar o Exército para apoiar o trabalho da polícia na vigilância das fronteiras durante a atual crise dos refugiados. Os soldados poderão utilizar armas não letais e métodos coercitivos, checar a identidade e participar do controle fronteiriço, assim como bloquear estradas ou limitar o tráfego. A lei autoriza os soldados a usarem material antidistúrbios, como balas de borracha e gás lacrimogêneo, mas só poderão utilizar armas de fogo se acharam que sua vida corre perigo../EFE, ASSOCIATED PRESS e REUTERS

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