Jonathan Ernst/Reuters/Arquivo
Jonathan Ernst/Reuters/Arquivo

Hunter Biden vai deixar cargo em empresa chinesa para não atrapalhar campanha de Joe Biden

Filho do pré-candidato democrata à presidência dos EUA Joe Biden virou alvo de acusações de Donald Trump sobre possíveis irregularidades em empresas na China e Ucrânia

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2019 | 16h57

WASHINGTON - O advogado Hunter Biden, cujas atividades profissionais na Ucrânia criaram dificuldades para a campanha presidencial dos Estados Unidos de seu pai, Joe Biden, se manifestou pela primeira vez sobre o caso neste domingo, 13. 

Por meio de anúncio de seu advogado, Hunter informou que deixará em 31 de outubro o conselho da empresa chinesa BHR (Xangai) Equity Investment Fund Management Company, uma posição que lhe custou ataques contínuos por parte do presidente dos EUA, Donald Trump.

George Mesiras, advogado de Hunter Biden, explicou que ele "empreendeu essas atividades comerciais de forma independente. Não achou apropriado discutir isso com o pai e não o fez".

Desde o mês passado, Trump começou a ser investigado por possível coerção e intervenção eleitoral, após uma denúncia anônima revelar o conteúdo de um telefonema que ele teve com o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, em julho, onde solicita o andamento de investigações sobre a atuação de Hunter no conselho da maior empresa de gás natural do País, a Burisma

Hunter integrou o conselho de 2014 a 2019, enquanto o presidente da companhia era investigado por casos de corrupção e lavagem de dinheiro. No telefonema, Trump acredita que com investigações, será possível descobrir irregularidades cometidas tanto por Hunter quanto por Joe Biden na Burisma. 

O advogado frisou que não há indícios de irregularidades cometidas por Hunter na empresa, do qual deixou o cargo em abril. 

"Apesar das investigações detalhadas, em nenhum momento as forças policiais estrangeiras ou (americanas) concluíram que Hunter havia cometido irregularidades durante seus cinco anos no cargo", frisou o advogado. Mesires acrescentou que Hunter não vai trabalhar para uma empresa estrangeira, na circunstância da eleição de seu pai para a presidência dos EUA.

Joe Biden, ex vice-presidente do governo Barack Obama, atualmente lidera a maioria das pesquisas de opinião para as primárias do partido Democrata, e também lidera os cenários hipotéticos de uma disputa presidencial contra Trump.

Ele defendeu o trabalho de seu filho Hunter, acusando Trump de atacar seu filho somente porque o enxerga como uma ameaça a sua reeleição.

Os ataques mais recentes feitos por Trump contra a atividade profissional de Hunter referem-se à sua atuação no conselho da empresa chinesa BHR, fundada para investir capital chinês fora do País.

Hunter investiu US$ 420 mil dólares no capital da BHR para obter uma participação acionária. De acordo com declarações de seu advogado neste domingo, Hunter nunca chegou a receber qualquer compensação.

Trump fez um aceno à China há 10 dias, assim como chegou a fazer com a Ucrânia, para que o governo investigue a atuação empresarial de Hunter no País. / AFP e Reuters

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