Iata critica Europa e eleva custo estimado de caos aéreo

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) está revisando de US$ 200 milhões para US$ 250 milhões sua previsão de custo diário para as companhias aéreas em termos de receita perdida por causa da nuvem de cinza vulcânica que provoca o caos na região. O presidente da entidade, Giovanni Bisignani, criticou a forma como as autoridades europeias estão lidando com a situação.

AE, Agência Estado

19 de abril de 2010 | 09h37

Bisignani prevê que "em algumas semanas, essa será uma história muito embaraçosa", quando for feita uma análise da crise e de suas consequências. "Essa é uma situação embaraçosa para a Europa", disse ele, destacando que demorou cinco dias para que os governos organizassem uma conferência em nível ministerial para tratar do assunto.

Os ministros de Transportes da União Europeia (UE) deverão promover uma videoconferência ainda hoje sobre a nuvem de cinzas causada pela erupção do vulcão Eyjafjallajokull na Islândia. As companhias aéreas insistem que as restrições que até o momento levaram ao cancelamento de mais de 63 mil operações precisam ser reavaliadas depois que diversos voos de teste bem-sucedidos feitos no final de semana indicaram menor risco de danos às aeronaves do que o que se temia antes.

"É embaraçoso porque eles tomaram a decisão sem fatos ou números, apenas usando um modelo matemático teórico, e isso não faz sentido", disse Bisignani. Ele afirmou também que os governos não tentaram avaliar a quantidade de cinzas vulcânicas corrosivas na nuvem. "Isso é inaceitável", afirmou. Bisignani pediu que os governos e as autoridades da aviação civil permitam que as aeronaves operem em corredores específicos e implementem procedimentos especiais de pouso e decolagem.

O executivo disse também que quando a nuvem desaparecer, pode levar de três a seis dias para que as empresas aéreas voltem a operar normalmente, o que significa que o setor terá enfrentado ao menos dez dias de turbulência.

Corredor

Enquanto isso, o ministro de Ecologia da França, Jean-Louis Borloo, disse que a França quer abrir corredores de tráfego aéreo na Europa o mais rápido possível, de forma a permitir alguma movimentação. As autoridades francesas decidiram deixar o espaço aéreo aberto no sul do país, uma medida que está permitindo às companhias repatriar viajantes que estavam presos no exterior.

Em erupções vulcânicas anteriores nos Estados Unidos, destacou Borloo, a Administração Federal de Aviação enviou diversas aeronaves para avaliar o risco e desviou os aviões comerciais da nuvem de cinzas. "Você não fecha toda a Europa sem fazer testes apropriados", afirmou.

O ministro disse ainda que a decisão de fechar o espaço aéreo foi tomada por provedores de serviços de navegação sem consultar as companhias aéreas e sem uma avaliação de risco, coordenação ou liderança. As informações são da Dow Jones.

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