Iata pede à Venezuela que pague linhas aéreas

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) declarou ontem que se o governo da Venezuela não saldar a dívida que tem com as companhias aéreas que atuam no território venezuelano, estimada em mais de US$ 4,1 bilhões pela entidade, o país poderá ficar desconectado do restante do mundo. O vice-presidente da Iata, Peter Cerda, pediu a Caracas que negocie acordos e, acima de tudo, os cumpra.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2014 | 02h01

As empresas aéreas estrangeiras que atuam na Venezuela não têm conseguido trocar por dólares os bolívares que ganham nas vendas com a moeda venezuelana. Caracas controla a concessão oficial de divisa estrangeira e a cotação desse câmbio - e não tem concedido dólares para que as companhias aéreas repatriem seus ganhos. A disputa envolve 24 empresas, que pedem a liquidação da dívida bilionária, que, segundo cálculo paralelo, do instituto Ecoanalítica, chega a US$ 1,9 bilhão - 53,6% menor do que o valor calculado pelas companhias.

O vice-presidente da Iata afirmou que, nos últimos dez meses, a entidade enviou quatro cartas a Caracas, mostrando a disposição da entidade de dialogar. "Até o momento, não nos responderam", afirmou.

"Há cinco linhas aéreas que chegaram a um acordo, mas somente duas receberam as quantidades de divisas combinadas - as outras três, não.

E isso é o que mais preocupa as outras 19 linhas aéreas: o fato de que, ainda que se chegue a um acordo, não há garantias de que as quantias combinadas sejam recebidas. Em seis meses, o governo disse em várias ocasiões que ia pagar - e ainda estão esperando.

O governo venezuelano autorizou a repatriação de US$ 424 milhões de companhias aéreas. A crise fez com que a Air Canada e a Alitalia suspendessem seus voos para a Venezuela. As demais linhas aéreas reduziram em quase 50% a oferta de passagens negociadas em bolívares.

Investigação. A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, publicou ontem uma lista com 56 empresas venezuelanas investigadas por delitos ligados à aquisição das divisas concedidas pelo Estado. As companhias suspeitas são, em sua maioria, importadoras. / EFE

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