Içamento de mineiros deve começar hoje

Operação para tirar os 33 homens presos a cerca de 700 metros de profundidade terá início no máximo até a meia-noite, mas salvamento pode ser antecipado para o fim da tarde; mineiros enviam recado a jornalistas no local, pedindo 'calma' à imprensa

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

O resgate dos 33 mineiros presos na mina San José vai começar, no máximo, à meia-noite de hoje, anunciou ontem o ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne. Em reunião com parentes dos mineiros presos desde 5 de agosto, autoridades afirmaram que o início do salvamento pode ser adiantado, e começar no fim da tarde.

Isso coincidiria com a chegada do presidente chileno, Sebastián Piñera, que apressa sua volta do Equador. O resgate vai começar com testes com paramédicos e mineiros, que serão baixados até o refúgio. Os mineiros serão transportados pela cápsula Fênix, de 4 metros de altura e 54 centímetros de diâmetro, que vai içá-los dos quase 700 metros de profundidade até a superfície. A cápsula pode subir a uma velocidade de cerca de 1 metro por segundo e, portanto, o trajeto até o topo levaria de 12 a 15 minutos. Os mineiros podem sentir náuseas, ter problemas de pressão ou desmaios no trajeto.

Ontem, por volta das 6 horas da manhã, foi concluído o revestimento de 56 metros do túnel, mais curto do que se esperava. Mais tarde, foi realizado um teste com a cápsula e tudo correu bem - ela foi baixada a 610 metros de profundidade e içada de volta. "Os resultados foram positivos, porque cápsula se adaptou bem, não ficou bamba, não caiu nem pó", disse Golborne.

Indagado sobre o motivo de não baixar a cápsula até o refúgio dos mineiros, ele respondeu: "Não mandamos até embaixo, porque não podemos nos arriscar a alguém resolver pular dentro", ele brincou.

Pela programação inicial, as primeiras viagens com os resgatistas começariam à meia-noite de hoje. "Mas podemos começar antes, vamos fazer o resgate, independentemente da hora", disse Golborne. Segundo ele, deve-se levar 48 horas para resgatar todos os 33 mineiros.

Ontem, Alejandro Pino, diretor da associação de segurança do Chile, levou um recado dos mineiros aos jornalistas presentes. "Os mineiros pedem calma aos jornalistas, dizem que não poderão falar com a imprensa nos primeiros dias", disse Pino. Estava sendo discutida a ordem pela qual os mineiros seriam retirados. O último a ser salvo será Luis Urzúa, de 54 anos, o chefe do turno que assumiu o papel de líder. Por ser o mais estável e forte do grupo, ele ficará para o fim. O primeiro poderia ser o boliviano Carlos Mamani Solís. Mas sua mulher, Verónica Quispe, ainda não tinha confirmação. "Não temos ainda informação oficial. Vão nos dizer em breve", afirmou ao Estado Verónica. Ela chegou à mina com seu bebezinho e foi para a barraca onde está ficando com outros familiares. O presidente boliviano, Evo Morales, virá à mina San José hoje para assistir ao resgate, e já prometeu ao mineiro boliviano um emprego em Potosí.

No segundo grupo de resgatados estarão os dez mais frágeis, como Mário Gómez, que tem um problema pulmonar, assim como o mineiro que é diabético. No primeiro grupo, de 4 a 6 pessoas, vão os que estão em melhor forma, não engordaram muito, são capazes de manter a tranquilidade durante o resgate e operar o mecanismo da cápsula se algo falhar. E, por último, o grupo dos mais fortes, que podem ajudar no resgate e aguentar a ansiedade das 48 horas da operação.

Durante o salvamento, os mineiros usarão roupas especiais: camisa, calça, jaqueta e manta verdes, feitas de tecido respirável, que mantêm a temperatura do corpo constante, além de capacete e óculos com lentes que bloqueiam 100% dos raios UV. Como eles ficaram em relativa escuridão por muito tempo, a luz solar poderia danificar a visão de forma grave. Além disso, terão um cinto que monitorará pressão arterial e batimentos cardíacos. Para completar, usarão uma cinta que os ajudará a manter a circulação constante e evitar queda de pressão.

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