Identificação de vítimas da chacina pode levar até 15 dias

O processo de identificação das 72 vítimas da chacina ocorrida no fim de semana no Estado mexicano de Tamaulipas, na fronteira com os Estados Unidos, deve demorar ainda cerca de 15 dias, de acordo com o cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Lage. Segundo ele, até ontem, autópsias já haviam sido feitas em 41 corpos. Mas, do total, 20 continuam sem nenhum tipo de identificação.

Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

Lage disse ao Estado, por telefone, no início da tarde, que inicialmente a informação era a de que, entre as vítimas, havia quatro brasileiros. "Mas até o momento nos passaram apenas uma vítima do Brasil", disse. Ele não descarta a hipótese de haver um aumento do número. A vítima brasileira é um homem de 20 anos. "Ocorre que o nome dele é comum e poderia até ser de outra nacionalidade. Precisamos primeiro ter certeza para depois contatar a família. Ainda não tivemos acesso à documentação dele", afirmou.

Designado pelo Ministério das Relações Exteriores para acompanhar os trabalhos de identificação e transporte dos corpos, Lage aguarda autorização para seguir para Reynosa, cidade para onde estão sendo levadas as vítimas do massacre.

"Ainda não tivemos acesso ao local onde estão os corpos, próximo à cidade de San Fernando. O local fica fora da cidade e as autoridades nos disseram que não havia condições de segurança na área (onde ocorreu o crime) por isso estamos aguardando autorização para seguir para Reynosa para onde serão levados os corpos", afirmou o cônsul-geral. Ele classificou como "lento" o trabalho de identificação dos corpos. "Há toda uma parte burocrática", disse.

O cônsul afirmou também que a última etapa do trabalho será cuidar da documentação e do traslado do corpo ou dos corpos de brasileiros vítimas do massacre.

"O Itamaraty vai informar os procedimentos para que as famílias tenham condições de enterrar os seus parentes", disse.

Otimismo. Ao comentar a chacina ocorrida no México e a informação de que há brasileiros entre os mortos, o chanceler Celso Amorim declarou ontem, no Rio de Janeiro: "Os brasileiros têm uma perspectiva de vida muito mais próspera, hoje em dia, no Brasil. Acho que, por isso, as pessoas não precisariam correr tantos riscos." Ele também classificou o assassinato dos 72 imigrantes como "uma tragédia".

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