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Polícia catalã mata suspeitos de ataque com van; grupo planejava explosão

Detonação acidental em casa na cidade de Alcanar na quarta-feira teria levado terroristas a mudar de plano e optar por atropelamentos que mataram 14 pessoas em Barcelona e em Cambrils; segundo imprensa espanhola, motorista que invadiu as Ramblas foi morto

Andrei Netto, Enviado Especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 18h56
Atualizado 18 Agosto 2017 | 21h48

Os dois atentados cometidos na Catalunha, um na quinta-feira e outro nesta sexta-feira, 18, que deixaram 14 mortos e mais de 130 feridos, dos quais 17 em estado crítico, foram planejados por uma célula terrorista ligada ao Estado Islâmico que pretendia usar explosivos em ataques suicidas de grande amplitude. A hipótese é a mais forte linha de investigação da polícia da Espanha. Os principais suspeitos foram mortos ontem em Cambrils, a 120 km da capital catalã.

Os investigadores ligam as ações das duas cidades à explosão de uma casa em Alcanar, a 200 quilômetros ao sul de Barcelona, na quarta-feira. Na detonação, que deixou dois mortos e sete feridos, foram encontrados traços de TATP, um explosivo extremamente instável e sensível a altas temperaturas. Esse mesmo componente foi utilizado por jihadistas suicidas em Paris e Bruxelas nos atentados cometidos em 2015 e 2016. Na visão da polícia, a detonação acidental, que destruiu a casa, teria obrigado os terroristas a improvisar os dois atentados usando automóveis em Barcelona e Cambrils. 

“A hipótese é que os autores preparavam esses dois ataques há um certo tempo em um imóvel de Alcanar”, informou hoje o chefe da polícia da Catalunha, Josep Lluis Trapero. A célula terrorista era composta por cerca de uma dezena de membros, a maioria de nacionalidades do Magreb, no norte da África. “Eles preparavam um ou vários atentados. A explosão de Alcanar permitiu evitar atentados de maior envergadura”, confirmou Trapero. “Não descartamos a possibilidade de que outros ataques também tenham sido planejados.”

A polícia estima que a célula terrorista da Catalunha envolva ao todo entre 10 e 11 pessoas. Entre os nomes conhecidos, todos eram jovens com idades entre 17 e 34 anos. Quatro pessoas, três marroquinos e um espanhol, já foram presas pela polícia, três na cidade de Ripoll e uma em Alcanar. Além deles, pelo menos outras cinco pessoas, mortas pela polícia na madrugada de hoje em Cambrils, estariam envolvidas.

Três dos quatro que eram considerados foragidos estão entre os cinco mortos. São eles Moussa Oukabir, de 17 anos, Said Aallaa e Mohamed Hychami, todos de origem marroquina. A polícia ainda procurava Younes Adouyaaq. Nenhum dos quatro tinha passagem pela polícia por suspeitas de atividade terrorista.

Segundo Trapero, é provável que o motorista da van de Barcelona seja Moussa Oukabir e, portanto, também esteja entre os mortos, mas a informação ainda era investigada. “A identidade ainda não é conhecida. Pode ser que faça parte dos cinco terroristas abatidos em Cambrils. A investigação vai nesse sentido, há um indício, mas ainda não temos prova concreta”, confirmou o chefe de polícia. Jornais espanhóis afirmam que o motorista está entre os mortos.

lém do ataque de Barcelona, cometido às 17 horas de quinta-feira, o grupo foi responsável por um segundo atropelamento em massa realizado em Cambrils. Nessa ação, que deixou um morto e seis feridos, dos quais dois em estado grave, os cinco membros do grupo tentaram fugir, mas foram abordados pelas forças de segurança e mortos. No interior do veículo, foram encontrados um machado e facas, além de cinturões de explosivos sem cargas ou detonadores.

A mobilização das forças de segurança não acontece apenas na Espanha, onde entradas e saídas de Barcelona e da Catalunha continuam monitoradas pela polícia. Na fronteira com a França, os controles de identidade foram reforçados para impedir que haja uma fuga internacional, segundo o ministro francês do Interior, Gérard Collomb. 

Enquanto as investigações avançam, segue o esforço para salvar as vítimas em estado crítico. A 14.ª vítima morreu hoje após ser atropelada no segundo atentado e apunhalada por um dos terroristas.

Outro desafio é a identificação dos corpos, um trabalho complexo porque há vítimas de 35 nacionalidades, entre mortos e feridos. Dentre os mortos, nove tiveram a identidade conhecida. Uma das histórias mais citadas em Barcelona é a de um menino australiano de 7 anos que se encontra desaparecido. A mãe dele está internada. 

 

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