Ideólogo culpa Vietnã por genocídio no Camboja

O ideólogo do brutal regime do Khmer Vermelho no Camboja (1975-1979), Nuon Chea, disse nesta segunda-feira em um tribunal que ele e seus camaradas não eram "más pessoas", negando a responsabilidade pela morte de aproximadamente 1,7 milhão de cambojanos durante a ditadura maoista no país do Sudeste Asiático. Nuon culpou o Vietnã pelo genocídio.

AE, Agência Estado

05 de dezembro de 2011 | 16h16

O desafio de Nuon ocorreu durante seu interrogatório pelo tribunal apoiado pelas Nações Unidas, que julga três dos líderes sobreviventes do Khmer Vermelho acusados de genocídio, crimes contra a humanidade, perseguição religiosa, tortura e homicídio. O Khmer, um grupo comunista maoista que chegou ao poder em 1975 quando derrubou a monarquia, instituiu um reinado de terror no Camboja até 1979. Todos os três julgados negaram as acusações.

Após tomar a capital Phnom Penh em 17 de abril de 1975, o Khmer começou a deportar 1 milhão de habitantes para o interior, tentando implantar uma utopia agrícola comunista maoista. Até 1979, a estimativa é que 1,7 milhão de cambojanos foram mortos pelo Khmer, não apenas nas deportações, mas também de fome e nos massacres nos campos de trabalhos forçados.

Nuon, ex ideólogo do movimento com 85 anos, insistiu que nenhum cambojano é responsável pelas atrocidades cometidas na década de 1970, nem mesmo ele. "Foram os vietnamitas, e não os cambojanos, que mataram cambojanos", afirmou. O Vietnã, também comunista, embora da linha soviética, apoiou um movimento de resistência contra o Khmer no Camboja e em 1979 invadiu o país vizinho, derrubando o brutal regime maoista.

Os outros acusados pelo tribunal pelo genocídio no Camboja são Khieu Samphan, um ex-chefe de Estado de 80 anos, que em novembro negou responsabilidade pelas atrocidades, e Ieng Sary, de 86 anos, que rejeitou se apresentar ao tribunal, alegando que recebeu um perdão em 1998. O líder supremo do Khmer, Pol Pot, morreu em 1998 nas selvas cambojanas, quando estava em prisão domiciliar, detido por uma facção dissidente do sanguinário movimento.

As informações são da Associated press.

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