Idi Amin: um legado de terror e sangue

Depois de anos vivendo exilado numa pequena cidade saudita, o ex-ditador de Uganda Idi Amin morreu na última sexta-feira no hospital King Faisal, onde estava internado desde 18 de julho. Acreditava-se que ele tinha cerca de 80 anos, dadas as controvérsias em torno da data exata de seu nascimento.O ex-lutador de boxe peso pesado e soldado do exército britânico tomou o poder em janeiro de 1971, destituindo o presidente Milton Obote, que estava fora do país. Amin se declarou presidente vitalício, investiu-se de uma série de medalhas e dirigiu o país com mãos de ferro, eliminando inimigos reais e imaginários.O que se seguiu foi um reinado de terror, marcado pela aproximação com terroristas palestinos, que culminou na operação de resgate perpetrada por Israel contra seu país em 1976 para resgatar os reféns israelenses seqüestrados num vôo da Air France. ?O puro filho da África?, como ele mesmo se chamava, nos seus oito anos de governo, presidiu uma das piores ditaduras do continente.De acordo com grupos de dirietos humanos, durante os oito anos em que esteve no poder, morreram entre 100 e 500 mil pessoas. Seus corpos eram jogados no Rio Nilo porque as covas não eram cavadas em velocidade suficiente. A certa altura, tantos corpos eram atirados aos crocodilos que os restos deixados por eles entupiam dutos na estação hidrelétrica de Jinja. ?Nem mesmo ele sabia quantas pessoas mandou executar. O país está entupido de corpos?, disse Henry Kyemba, Amigo pessoal de Amin e ex-ministro da saúde.Em Kampala, o porta-voz do presidente Yoweri Museveni qualificou de ?boa? a morte de Amin: ?sua morte significará o fim de nosso passado ruim?. Jummy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, disse que os eventos em Uganda sob o mandato de Amin ?enojavam todo o mundo civilizado?.Da tribo ao exílioAmin nasceu na pequena tribo de Kakwa, em Koboko, no noroeste de Uganda. Além de ser uma ?homem de ação?, como se definia, chegou a dizer que Hitler ?estava certo em matar 6 milhões de judeus? e se ofereceu para ser rei da Escócia, se assim o quisessem. Desafiou seu vizinho ? e crítico freqüente ? Julius Nyerere, presidente da Tanzânia, para uma partida de boxe e escreveu ao ex-presidente americano Richard Nixon desejando-lhe uma ?rápida recuperação? do caso Watergate.O ex-ditador era um militar bem relacionado à época da independência de Uganda , em 1962. Em 1975, ele até chegou a escolhido para a presidência rotativa da Organização da Unidade Africana, apesar das objeções de alguns países membros.Idi Amin só foi destituído do cargo em 1979, depois que seu exército falhou em tomar partes da Tanzânia. Amin, um convertido ao islã, fugiu para a Líbia, depois Iraque e, finalmente, refugiou-se na Arábia Saudita, onde viveu cercado por luxo e seus cerca de 30 filhos.

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