Kahosu Shimpo/AP
Kahosu Shimpo/AP

Idosa e neto são salvos 9 dias após tremor

Em Ishinomaki, dupla sobrevive em meio a escombros com alimentos em geladeira

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2011 | 00h00

Nove dias depois do tsunami que atingiu o Japão, uma mulher de 80 anos e seu neto de 16 foram resgatados na cidade de Ishinomaki, enquanto o número de vítimas da tragédia continuou a subir. Pelo menos 21 mil pessoas estão mortas ou desaparecidas, cifra que deverá aumentar ainda mais nos próximos dias, na medida em que corpos sejam retirados dos escombros ou devolvidos pelo mar.

"Corpos levados pelo tsunami serão recuperados aos milhares por dia a partir de agora", disse Naoto Takeuchi, chefe de polícia de Miyagi, uma das três regiões mais atingidas pela tragédia, ao lado de Iwate e Fukushima. Segundo ele, somente em Miyagi o número de mortos deverá atingir 15 mil.

A rede de TV estatal NHK transmitiu ao vivo o momento em que Sumi Abe e seu neto Jin foram içados por helicóptero das ruínas da casa em que estavam, em Miyagi. Os dois sobreviveram com alimentos que estavam na geladeira, dos quais sobravam um pote de iogurte e duas caixas de leite. Ambos foram levados para um hospital da Cruz Vermelha, onde o adolescente apresentou sintomas de hipotermia, por causa das baixas temperaturas que prevalecem na região.

Com a progressiva restauração de energia e fornecimento de água, muitos voltaram para as casas que sobreviveram ao desastre, o que diminuiu o número de pessoas vivendo em abrigos provisórios de 386 mil para 367 mil.

Grande parte desse universo é formado por crianças e idosos, grupos que mais sofrem com as condições precárias dos abrigos, nos quais centenas de pessoas dividem o mesmo espaço e onde nem sempre há aquecimento e água corrente.

A organização Save the Children estima que há 100 mil crianças entre os desabrigados no Japão. Nos refúgios improvisados, há famílias com até quatro filhos, alguns ainda bebês, que continuavam sem saber o que será de suas vidas nove dias depois do tsunami.

Em todos os abrigos, é visível a grande presença de idosos, que representam 20% da população japonesa. Sem banho nem conforto e sujeitos a baixas temperaturas, eles correm risco maior de incidência de doenças. Médicos que atuam na região disseram nos últimos dias temer uma epidemia de gripe entre a população idosa que está nos abrigos.

Shima Matsumura, de 82 anos, está há nove dias no ginásio de esportes de uma das escolas secundárias de Otsuchi com 300 pessoas. Na tarde de ontem, ela lia jornal sentada no tatame onde dorme, ao lado da filha, Sachiko Murata, e de dois netos. "Estou bem aqui. A situação é pior em outros abrigos", disse Shima. Alguns tatames adiante, Hisao Ogata, de 73 anos, e sua mulher Chiyo, de 66 anos, se preparavam para serem transferidos a outro abrigo, próximo da cidade de Morioka. "Lá nós poderemos tomar banho e ficar em quartos com menos pessoas", disse Ogata. No mesmo grupo estava Masao Matsuhashi, de 77 anos, cuja saúde deteriorou nos últimos dias.

Cidades do oeste do Japão preparam-se para receber parte dos milhares de desabrigados que perderam suas casas com o tsunami. A prefeitura de Saga, no noroeste do país, disse sábado que receberá 30 mil pessoas, que serão instaladas em casas populares, hotéis, apartamentos e refúgios contra terremotos.

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