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Idoso de 101 anos é resgatado no Nepal uma semana após terremoto

Três dias após autoridades descartarem a possibilidade de encontrar mais sobreviventes, equipes de resgate retiram três pessoas dos escombros; Unicef critica burocracia do governo para liberar ajuda e alerta para risco de tráfico de crianças

O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2015 | 10h35

Atualizado às 22h01
KATMANDU - Três pessoas foram resgatadas neste domingo com vida dos escombros oito dias após o terremoto que devastou o Nepal – entre elas um idoso de 101 anos, que foi transferido para um hospital de Katmandu com ferimentos leves. Segundo o governo nepalês, o número oficial de mortos ultrapassou 7,2 mil. Quase 160 mil casas foram destruídas e 143 mil afetadas, segundo o balanço mais recente da ONU.

Funchu Tamang foi retirado dos escombros de sua casa em Sindupalchowk, um dos distritos mais afetados pelo terremoto. “A situação dele é estável”, disse Arun Kumar Singh, oficial da polícia local. “Ele tem ferimentos no tornozelo esquerdo e em uma das mãos. A família está ao seu lado.”

Os resgates milagrosos deste domingo ocorreram três dias depois que o governo do Nepal descartara qualquer possibilidade de retirar mais sobreviventes dos escombros. No entanto, histórias de sobreviventes, como Tamang, representam uma pequena esperança em um país devastado.

O balanço mais recente da tragédia fala em 7,2 mil mortos e 14 mil feridos, mas o número definitivo será muito maior, segundo o ministro das Finanças nepalês, Ram Sharan Mahat. “Há vilarejos aos quais ainda não conseguimos chegar, mas sabemos que todas as casas foram destruídas”, disse. “Os tremores secundários são constantes e acreditamos que o balanço humano definitivo será muito maior.”

Neste domingo, a polícia anunciou a retirada de mais de 50 corpos dos escombros, incluindo seis estrangeiros, na região de Langtang, muito procurada por montanhistas e onde as autoridades acreditam que outros 100 turistas estejam desaparecidos. “Nossa prioridade era resgatar os sobreviventes. Resgatamos 350 pessoas, aproximadamente metade eram turistas ou guias”, disse Uddav Prasad Bhattarai, chefe de polícia do distrito de Rasuwa.

Ajuda. Em Katmandu, a coordenadora de operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, expressou preocupação com a lentidão do governo nepalês para facilitar a chegada da ajuda humanitária internacional. “Estou extremamente preocupada ao ouvir que a alfândega demora tanto tempo para aceitar os pacotes de ajuda”, disse.

Aviões com comida, remédio e equipamentos chegam há vários dias ao pequeno aeroporto de Katmandu, mas as ONGs lamentam os trâmites intermináveis para liberar a ajuda humanitária. O diretor do aeroporto proibiu o pouso de aviões de grande porte por temor de que a pista danificada não resista ao peso. “Não há fissuras visíveis na pista, mas os tremores secundários são tantos que temos que adotar precauções”, afirmou Prasad Shrestha, diretor do aeroporto de Katmandu.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez neste domingo um novo apelo para a adoção das medidas necessárias para evitar epidemias entre 1,7 milhão de jovens que moram nas áreas mais afetadas, poucas semanas antes do início da temporada de chuvas.

“Os hospitais estão lotados, a água começa a faltar, muitos corpos continuam soterrados sob os escombros e as pessoas continuam dormindo nas ruas. É uma situação perfeita para a proliferação de doenças”, afirmou Rownad Khan, funcionário do Unicef.

A chefe de Proteção Infantil do Unicef no Nepal, Virgínia Pérez, alertou neste domingo para o risco de que ocorra um aumento do tráfico de crianças no Nepal após o terremoto. “As notícias que chegam não são alarmantes nesse sentido, mas temos que estar atentos porque sabemos que em todas as emergências os riscos são altos”, disse Pérez. Segundo ela, o risco está nas “crianças que ficam abandonadas”, porque se movimentam “de um lado para outro” e acabam na Índia ou em qualquer outro país. / REUTERS, AFP e AP

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