EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Idosos protestam na Venezuela para exigir o pagamento da aposentadoria

Presidente Nicolás Maduro anunciou no Twitter o crédito neste sábado de 25% do benefício - cerca de US$ 7 de acordo com o câmbio oficial - e muitas pessoas pensaram que os bancos abririam

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2018 | 18h55

CARACAS - Depois de passar horas em filas para tentar receber sua aposentadoria em dinheiro, idosos de diferentes cidades da Venezuela protestaram neste sábado, 1º, bloqueando ruas por não conseguirem sacar o dinheiro nos bancos.

O presidente Nicolás Maduro havia anunciado que pagaria neste sábado uma parcela da aposentadoria, cujo valor aumentou em 4,2%. Essa declaração confundiu muitas pessoas, que pensaram que os bancos abririam.

Embora os aposentados tenham recebido em suas contas, muitos foram aos bancos para sacar dinheiro em espécie, que, escasso na Venezuela, é cobiçado pelos comerciantes. Produtos básicos são vendidos até pela metade do preço se pagos em dinheiro.

"O presidente disse que iriam pagar hoje e eu vim de Los Teques, nos arredores de Caracas, e acontece que não é verdade. Sai de casa sem tomar café da manhã", lamentou Cecilia Montañés, de 74 anos.

Alguns motoristas ficaram irritados com os bloqueios e tentaram passar pela força. Um homem saiu de seu veículo para discutir com os idosos que, alterados, o agrediram. Foram registrados protestos em diferentes áreas de Caracas e em Estados como Zulia, Lara e Bolívar.

Maduro explicou no Twitter que este sábado pagaria 25% da aposentadoria: 450 bolívares soberanos (US$ 7 de acordo com o câmbio oficial).

Diante da confusão, o vice-presidente da área econômica, Tarek El Aissami, disse na televisão estatal VTV que o governo nunca havia dito que a aposentadoria poderia ser sacada nos bancos neste sábado.

O aumento da aposentadoria e do salário mínimo - este em 3.400% - é parte de um programa de reformas econômicas impulsionadas por Maduro, em meio a uma hiperinflação que poderia fechar em 1.000.000% este ano, de acordo com o FMI. / AFP

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