Idosos vivem manhã de horror em asilo

Dois dormitórios ficaram destruídos

Gustavo Chacra, Nahariyah, Israel, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

Idosos estavam reunidos no refeitório do asilo Ziberman, na cidade costeira de Nahariyah. Não fosse por sua localização, a 10 km da fronteira com o sul do Líbano, lembraria um pouco o Guarujá. Casas e prédios baixos, alguns restaurantes turístico e muitos idosos, que buscam o ar do Mediterrâneo e as ruas planas e arborizadas de Nahariyah para manter a saúde.Na mesa, havia pães, bolo de laranja e suco. A cozinheira ainda não havia levado a coalhada e os queijos. E nem deu tempo. Às 7h40, um foguete Katiusha lançado por um suposto grupo palestino que atua no território libanês atingiu o telhado do andar superior do asilo, perfurou o chão e foi parar na cozinha. No caminho, destruiu dois banheiros e dois quartos. A cozinheira ficou ferida, assim como Haya Blum (ironicamente, seu nome significa "viva" em hebraico), de 90 anos, que teve de ser internada pelo choque do ataque.Caso o foguete tivesse sido disparado dez minutos antes, pelo menos os moradores dos quartos teriam sido mortos. Mas se caísse dez metros antes, a tragédia teria sido bem maior. Certamente a maior parte dos idosos poderia ter morrido. "Foi um milagre", disse a proprietária do asilo, Rava Carmeli.O quarto atingido, em meio a escombros, ainda guardava alguns detalhes, como os desenhos de gatos e flores enviados pelos netos da moradora. Nos corredores, em meio a jornalistas e militares israelenses, cadeiras de roda e andadores. No banheiro, um buraco do Katiusha no teto e no chão. O foguete já havia sido retirado pelo Exército.Os idosos foram levados temporariamente para outro asilo. O governo de Israel comprometeu-se a reconstruir o prédio. "Não dá para acreditar. Havíamos acabado de sentar para o café da manhã. Por minutos nos salvamos", disse ao Estado Henry, marido de Rava.A mulher dele afirmou que, não fosse o conflito, esta poderia ser a parte mais bonita da costa do Mediterrâneo, entre Israel e o Líbano. A favor da ofensiva israelense em Gaza, ela afirma que sente também pelas vítimas palestinas. "Elas não têm culpa que militantes do Hamas guardam armamento em suas casas", disse.O segurança Bentsi Leibovitch disse que a cidade é de pessoas comuns, pobres. Segundo ele, "o restante do mundo tem de entender que Israel é um país pequeno, que busca se defender".Questionado se achava correta a forma como os ataques israelenses na Faixa de Gaza estavam sendo realizados, provocando a morte de civis palestinos, ele disse que não. "Servi em Ramallah e todos palestinos que conheci eram legais", afirmou.A divisa costeira de Israel com o Líbano é justamente onde se localiza a base das forças de paz da ONU, na cidade libanesa de Naqura. Não se sabe ao certo de onde foram disparados os quatro foguetes que caíram ontem em Nahariya e perto do kibutz Kabri. Apesar das recentes ameaças, o Hezbollah negou qualquer envolvimento nos disparos.

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