Iêmen ataca esconderijos da Al-Qaeda e mata 34

Forças de segurança do Iêmen atacaram hoje vários esconderijos e campos de treinamento da Al-Qaeda, matando pelo menos 34 militantes, dentre eles quatro homens-bomba que planejavam realizar ataques no país e no exterior. Pelo menos 17 militantes foram detidos. Forças iemenitas estão sob pressão dos Estados Unidos para agir com mais ênfase contra a rede terrorista em seu território.

AE-AP, Agencia Estado

17 de dezembro de 2009 | 16h23

Os militantes da Al-Qaeda, dentre eles combatentes que retornam do Afeganistão e do Iraque, estabeleceram santuários em meio a várias tribos iemenitas, particularmente em três delas que fazem fronteira com a Arábia Saudita, região conhecida como "triângulo do diabo" por causa da forte presença militante, segundo autoridades iemenitas.

As operações de hoje tiveram como objetivo atingir uma área da Al-Qaeda não muito longe da capital, Sanaa, e na província de Abyan, ao sul.

No sul, ataques aéreos seguidos por operações em terra tiveram como alvo um campo de treinamento onde 30 militantes morreram, disse Saleh el-Shamsy, oficial de segurança da província de Abyan. Outros funcionários de segurança e várias testemunhas disseram que civis também foram atingidos pela ofensiva do governo.

Outras testemunhas falaram em condição de anonimato por temerem represálias. Os oficiais também pediram anonimato, porque não têm autorização para falar sobre o assunto. Dois hospitais da área relataram ter recebido 26 civis feridos, a maioria mulheres e crianças.

Nos confrontos ao nordeste da capital, um distrito chamado Arhab, forças do governo mataram quatro futuros suicidas e detiveram 17 militantes, informou o Ministério do Interior. "Esse indivíduos planejavam atacar escolas e locais de interesse do governo no país e no exterior", revelou o Ministério sem maiores detalhes.

Contexto

O Iêmen é um país pobre do sudoeste da península arábica e tem lutado com a crescente presença da Al-Qaeda de grupos extremismos islâmicos internos. Há anos, o governo tem cooperado de perto com os Estados Unidos na luta contra a Al-Qaeda, embora seus esforços tenham sido prejudicados por considerações políticas e tribais.

Além disso, o Iêmen tem uma localização estratégica. Está próximo de alguns dos mais importantes produtores de petróleo do mundo, como Arábia Saudita, e perto da Somália, onde se chega cruzando o Golfo de Áden, um país ainda mais tumultuado, onde os Estados Unidos afirmam que há militantes da Al-Qaeda.

O Iêmen também foi palco do mais dramático dos ataques pré 11 de setembro realizado pela Al-Qaeda. No ano 2000, um ataque suicida contra o destroier USS Cole matou 17 marinheiros norte-americanos.

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