Iêmen e EUA colaboram na caçada à Al-Qaeda

Quando um auxiliar de Osama bin Laden no Iêmen entrou no carro e saiu de sua fazenda no noroeste do país, agentes secretos iemenitas observavam e passavam todas as informações para forças dos Estados Unidos. Um oficial de segurança iemenita disse que agentes de inteligência já mantinham Qaed Salim Sinan al-Harethi sob vigilância meses antes de forças dos EUA ordenarem o ataque de domingo, com míssil Hellfire, contra o carro ode viajavam o suspeito e outras cinco pessoas que também seriam integrantes da Al-Qaeda. Esse tipo de munição costuma ser utilizado por aviões Predator operados pela CIA, o principal serviço secreto dos EUA."Eles vinham monitorando a fazenda nos últimos meses e passavam todas as informações de que dispunham para os americanos", revelou um oficial que pediu à Associated Press para não ser identificado.A cooperação teve um resultado dramático, escalando a guerra dos EUA contra o terrorismo no Oriente Médio. Mas esforços conjuntos entre EUA e Iêmen para combater o terrorismo antecedem os ataques de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York, atribuídos à Al-Qaeda.Mais de 48 horas depois do ataque, o governo iemenita ainda não tinha confirmado oficialmente a morte de Al-Harethi, um reflexo de quão delicada é a guerra contra o terror dos EUA num país onde extremistas islâmicos desfrutam de certo grau de apoio público.Um comunicado de hoje do gabinete afirmou apenas que "informações preliminares indicam" que Al-Harethi foi morto. Aldeãos que viram o corpo estão certos de que era Al-Harethi.Em conversas particulares, entretanto, oficiais iemenitas falavam da cooperação estreita com os norte-americanos e afirmavam que oficiais dos EUA são mantidos informados sobre os esforços da inteligência do Iêmen para encontrar membros da Al-Qaeda."Mantemos os norte-americanos atualizados com todas as nossas descobertas, como parte da cooperação entre os dois países", disse um alto oficial do Iêmen, que pediu anonimato.Os EUA e o Iêmen começaram a trabalhar em conjunto depois que um bote repleto de explosivos chocou-se contra o destróier norte-americano USS Cole durante uma parada para reabastecimento em Áden, em outubro de 2000, matando 17 marinheiros dos EUA.A rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden, foi responsabilizada pelo ataque e investigadores do FBI tem visitado regularmente o Iêmen desde então.No entanto, até 11 de setembro, a cooperação nem sempre foi tranqüila. Autoridades iemenitas fizeram várias prisões em relação ao atentado contra o Cole e ficaram frustradas com a falta de disposição dos EUA de permitir que os detidos fossem julgados em tribunais do Iêmen. Os norte-americanos - tentando descobrir segredos da rede Al-Qaeda e garantir provas sólidas - não queriam fechar a investigação sobre o ataque tão rapidamente.O Iêmen, onde o governo exerce pouco controle sobre amplas áreas empobrecidas, de tradição tribal, tem sido visto como um abrigo seguro para militantes islâmicos e um campo de recrutamento da Al-Qaeda. O governo tem tolerado a presença de extremistas muçulmanos.Mas os choques e a frustração mútua entre o Iêmen e os EUA parecem ter desaparecido depois de 11 de setembro. Surgiram especulações de que o Iêmen, a terra ancestral de Bin Laden, poderia tornar-se um alvo da guerra contra o terrorismo do presidente George W. Bush, e o governo iemenita rapidamente tornou-se um dos principais colaboradores dos americanos.A cooperação, entretanto, carrega consideráveis riscos para o governo local. Laços próximos com os norte-americanos enfureceram alguns iemenitas, levando partidários da Al-Qaeda a retaliar com uma onda de atentados à bomba contra oficiais de segurança e repartições governamentais.No mês passado, um bote repleto de explosivos danificou um petroleiro francês na costa do Iêmen, matando um tripulante búlgaro e provocando o vazamento de 90.000 barris de petróleo. Mas o nível de cooperação tem agradado a administração Bush. Na segunda-feira, o secretário da Defesa Donald H. Rumsfeld classificou de "boa" a cooperação do Iêmen com os EUA, destacando que os dois países têm compartilhado informações."Temos algumas pessoas naquele país que estão trabalhando com o governo e ajudando-o a pensar formas de fazer coisas", disse o secretário da Defesa dos EUA.

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