
19 de janeiro de 2012 | 18h42
O projeto, muito criticado por grupos de direitos humanos, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por manifestantes iemenitas, agora blindará os assessores apenas em "casos políticos", disse à Reuters o ministro da Justiça, Mohammad Makhlafi. Antes, a imunidade para essas pessoas era total.
Saleh, no entanto, continua a ter imunidade completa depois que deixar o cargo, conforme prevê um acordo mediado por um grupo regional de países e assinado em novembro pelo presidente, no poder há 33 anos.
O Iêmen foi um dos países onde eclodiram os protestos da chamada Primavera Árabe, e ativistas dizem que centenas de manifestantes foram mortos pelas forças de segurança.
Muitos iemenitas continuam saindo às ruas para exigir que Saleh seja julgado, e a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, alertou nesta semana que a oferta de imunidade pode ser uma violação ao direito internacional.
A deliberação do projeto no Parlamento foi repetidamente adiada, mas Makhlafi disse que ela vai acontecer no sábado.
Os EUA defendem a oferta de imunidade ao seu aliado Saleh, alegado que essa foi a única maneira de convencê-lo a deixar o cargo, embora ainda restem dúvidas sobre suas intenções, já que ele reverteu uma promessa anterior que havia feito de deixar o Iêmen antes da eleição presidencial de fevereiro.
Para os EUA e a poderosa vizinha Arábia Saudita, o maior interesse é evitar a instabilidade no país, onde há grande presença de militantes islâmicos associados à Al Qaeda.
Nesta semana, militantes capturaram a localidade de Radda, cerca de 170 quilômetros a sudeste de Sanaa, a capital, intensificando os temores de que eles consigam controlar áreas importantes do país, que fica na boca do mar Vermelho e, como tal, é parte de importantes rotas marítimas.
Um representante tribal que negocia com os militantes em nome do governo disse que o líder deles, Tareq al-Dahab, se recusa a deixar a cidade enquanto não for instituído um conselho que a governe em conformidade com os preceitos islâmicos, e que 15 prisioneiros suspeitos de ligação com a Al Qaeda sejam libertados, inclusive um irmão dele, Nabil.
Dahab é parente de Anwar al-Awlaki, cidadão norte-americano acusado pelos EUA de ter papel de liderança na "filial" iemenita da Al Qaeda e assassinado em um bombardeio teleguiado no ano passado.
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