Iêmen faz festa pela ida de Saleh à Arábia Saudita

SANAA

, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

Milhares de iemenitas comemoraram ontem a saída do país do presidente Ali Abdullah Saleh, que está na Arábia Saudita para receber tratamento médico. Saleh foi ferido durante um ataque ao complexo presidencial na sexta-feira.

Na praça central da capital Sanaa, palco dos protestos nos últimos quatro meses pela renúncia do presidente, homens e mulheres cantavam, dançavam e levavam bandeiras do Iêmen em comemoração pela suposta vitória sobre Saleh. Até alguns soldados participaram das celebrações.

Após a saída do presidente, o vice-presidente Abd Rabbu Mansour Haddi assumiu o poder. Na Arábia Saudita, fontes diplomáticas informaram que o ditador foi submetido a duas cirurgias. Segundo médicos, ambas foram um sucesso.

Eles disseram que Saleh estará pronto para retornar ao Iêmen depois de duas semanas de "repouso". Médicos afirmaram também que retiraram do peito de Saleh os estilhaços que o feriram no ataque ao complexo presidencial.

A ausência de Saleh, depois de 33 anos no poder, pode representar um sério desafio para os EUA. O governo americano está bastante apreensivo com a crise política iemenita, já que o presidente do país era um forte aliado da Casa Branca.

Com o início dos protestos, o governo iemenita perdeu o controle da maior parte das províncias e a Al-Qaeda aproveitou o caos para solidificar suas bases no país, considerado terreno seguro para terroristas.

Para analistas, o governo saudita deve garantir que Saleh não retorne ao Iêmen como presidente - objetivo que mediadores tentam negociar com o ditador há meses, sem sucesso.

Mesmo que a repentina saída do presidente iemenita alivie a tensão em Sanaa, a trégua na crise política deve durar pouco, já que não existe plano para a transição política. Com o vácuo de poder, é possível que opositores e tribos rivais lutem com os manifestantes pelo controle do governo, aumentando ainda mais a violência que já matou mais de 300 pessoas em quatro meses de protestos. / NYT e AP

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