Líder do movimento rebelde Houthi, do Iêmen, diz que está pronto para acordo de paz

O n.º 2 do grupo xiita afirma que tem interesse no diálogo e é o governo iemenita que vem boicotando as negociações

O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 17h19

SANAA - O segundo no comando do grupo rebelde xiita Houthi, no Iêmen, Mohammed al-Houthi, criticou os bombardeios no país liderados pela Arábia Saudita em entrevista à agência  Associated Press. Ele reforçou a posição de seu grupo e suas forças aliadas, mas insistiu que está pronto para viajar para Genebra e participar de uma negociação de paz mediado pela ONU que possa acabar com a guerra civil no Iêmen.

Mohammed al-Houthi disse que o presidente, Abed Rabbo Mansur Hadi, exilado na Arábia Saudita, acabou com as negociações ao exigir que o grupo rebelde se retirasse do território que conquistaram como condição para as negociações.

"Eles estão exigindo condições para impedir qualquer negociação que possa levar o povo iemenita a uma solução", disse Al-Houthi, acrescentando que a coalizão, liderada pelos sauditas, rejritou a parar com os bombardeios para permitir um acordo de paz.

"Para nós, o diálogo é o principal. Não temos objeções a negociar", disse o líder. "O que acontece hoje é o oposto. A coalizão é quem rejeita uma negociação e trabalha para boicotar isso", acrescentou.

Os houthis começaram a avançar no território iemenita em setembro de 2014, tomando a capital do país, Sanaa, e os prédios do governo. Eles mantiveram políticos e governantes, como o presidente, sob prisão domiciliar. Mais tarde, o presidente conseguiu fugir para a Arábia Saudita na medida em que os rebeldes avançavam, apoiados por forças do antigo presidente, Ali Abdullah Saleh.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita iniciou ataques aéreos ao Iêmen em 26 de março. Desde então, os bombardeios e confrontos já mataram mais de mil civis e deixaram mais de meio milhão de pessoas refugiadas, de acordo com as Nações Unidas.

As negociações de paz, que ocorreriam em Genebra, foram adiadas e não têm nova data anunciada. / Associated Press

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