Yahya Arhab - EFE/EPA
Yahya Arhab - EFE/EPA

Ataque aéreo saudita deixa ao menos 70 mortos no Iêmen; país perde acesso à internet

Prédio da estatal que controla os acessos à internet no país foi atingido e deixou iemenitas sem conexão

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2022 | 04h08
Atualizado 21 de janeiro de 2022 | 19h48

DUBAI - Pelo menos 70 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em bombardeios atribuídos à coalizão militar liderada pela Arábia Saudita contra um centro de detenção localizado na cidade de Saada, reduto dos rebeldes houthis, no norte do  Iêmen. O ataque também levou à perda da conexão com a internet em todo o país.

O número exato de mortos não está claro. Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), pelo menos 70 morreram, mas esse total deve subir. O porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Iêmen, Bachir Omar, também afirmou que o número de vítimas deve aumentar. Os socorristas começaram a retirar corpos dos escombros da prisão e a empilhar cadáveres desmembrados, segundo imagens chocantes divulgadas pelos rebeldes houthis apoiados pelo Irã. 

Ataques aéreos liderados pela Arábia Saudita também atingiram prédio do TeleYemen, a estatal que controla o acesso à internet no país, localizado na cidade de Hodeida, uma das principais do país e em disputa entre iemenitas e sauditas.  

A NetBlocks,  organização não governamental que rastreia o funcionamento da internet, disse que a interrupção começou por volta da 1h local e afetou o TeleYemen, que agora é administrado pelos rebeldes houthis que tomaram a capital do Iêmen, Sanaa, desde o fim de 2014.

"O Iêmen estava no meio de um apagão da internet em escala nacional após ataque aéreo no prédio de telecomunicações'', disse NetBlocks. O Centro de Análises de Dados de Internet, de San Diego nos EUA, e a empresa de internet CloudFlare, com sede em São Francisco, também observaram uma interrupção da conexão em todo o país no mesmo horário. 

O canal de notícias via satélite Al-Masirah, pertencente aos houthis, disse que o ataque ao edifício de telecomunicações matou e feriu pessoas. O canal mostrou imagens caóticas de  pessoas cavando escombros para encontrar um corpo, enquanto tiros eram ouvidos.  Trabalhadores humanitários ajudaram sobreviventes feridos. 

A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que luta contra os rebeldes houthis, reconheceu ter realizado “ataques aéreos precisos para destruir as capacidades da milícia'' ao redor do Porto de Hodeida. Porém, não reconheceu imediatamente ter atingido um alvo de telecomunicações como o NetBlocks descreveu, mas chamou Hodeida de “centro de pirataria e contrabando de armas iranianas para apoiar os houthis”.

O cabo submarino Falcon leva internet para o Iêmen através do Porto de Hodeida para o TeleYemen. O cabo também está presente no porto de Ghaydah, no extremo leste do Iêmen, mas a maioria da população do país vive no oeste, ao longo do Mar Vermelho.

Um corte no cabo Falcon em 2020, causado pela âncora de um navio, também causou interrupções generalizadas da internet no Iêmen. Cabos terrestres para a Arábia Saudita foram cortados desde o início da guerra civil do Iêmen, enquanto as conexões com outros dois cabos submarinos ainda serão feitas em meio ao conflito, disse o TeleYemen. 

Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita entrou na guerra do Iêmen em 2015 para apoiar o governo que foi expulso pelos houthis. A guerra se transformou na pior crise humanitária do mundo, com críticas internacionais aos ataques aéreos sauditas matando civis e visando a infraestrutura do país. Os houthis, entretanto, usaram crianças soldados e minas terrestres indiscriminadamente espalhadas por todo o país./AP 

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