Iêmen vive novo dia de confrontos; parlamentar é ferido em protesto

Opositores e simpaticos ao governo se enfrentam nas ruas da capital; polícia tem de interferir

Reuters

15 de fevereiro de 2011 | 11h19

SANAA - Centenas de manifestantes da oposição e simpatizantes do governo entraram em choque nesta terça-feira, 15, na capital do Iêmen, em meio a uma onda de protestos alimentada pelas rebeliões no Egito e na Tunísia.

 

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Cerca de mil manifestantes faziam uma passeata pela rua que leva ao palácio presidencial, mas a marcha foi bloqueada pela tropa de choque da polícia. Dispersando-se por ruas laterais, os oposicionistas encontraram blocos de seguidores do governo. Houve agreções com paus e pedras entre os dois lados.

A polícia teve de interferir para apartar a confusão, que deixou quatro manifestantes opositores feridos, dois deles com sangramentos na cabeça. Três ambulâncias escoltaram a passeata desde o início, num sinal de que já havia previsão de confrontos.

Alguns simpáticos ao governo do preisdente Ali Abdullah Saleh agrediram um parlamentar que participava do protesto. Ahmed Seif Hashid acusou o partido governista de ter contratado pessoas para intimidar os manifestantes. "Alguns deles tentaram me apunhalar pelas costas. Os ataques aqui continuam acontecendo, eles querem ocupar os lugares usados para os protestos", afirmou o deputado.

Os manifestantes foram as ruas para protestar contra Saleh, que está no poder há 33 anos. "Fora, Ali, fora, e leve seus filhos com você!", gritavam os opositores. Saleh é um importante aliado dos EUA na luta contra a organização terrorista Al-Qaeda, que se instalou no Iêmen nos últimos anos.

Nos primeiros protestos no país, semanas atrás, havia apelos por reformas dentro do atual governo, mas posteriormente Saleh passou a ser o alvo das marchas. Diante das manifestações, o presidente já fez várias concessões, como a promessa de deixar o poder em 2013 e um convite de diálogo com a oposição.

Além da repressão política, os iemenitas se queixam também das condições econômicas. Cerca de 40% dos 23 milhões de habitantes do país vivem com menos de US$ 2 por dia, e um terço passa fome cronicamente.

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